O acúmulo de problemas ambientais em 21 quilômetros do ribeirão Cambé reflete-se inteiramente nos últimos 500 metros – que passam no fundo das propriedades onde moram os agricultores Irineu Szlachte, de 41 anos, e Francisco Felizberto, 52, no Loteamento Cambezinho, na zona rural. É ali que o Cambezinho encontra o ribeirão Três Bocas e encerra sua sina. O mau cheiro, a coloração escura e a espuma constante são os sinais mais visíveis de sua degradação. Mas há outros, como contam os moradores do local.
  ‘‘Quando cheguei aqui tentei pescar. Quando fui fritar o peixe, ele soltou um cheiro insuportável de esgoto. Até o cachorro torceu o nariz e refugou’’, contou Szlachte. ‘‘Pensei, misericórdia: se aqui fosse limpo, seria um paraíso. Do jeito que está, é um crime, e o pior é que ninguém
faz nada’’.
  O vizinho Francisco Felizberto concorda com a opinião de Szlachte. ‘‘Eu sempre gostei de pescar e quando mudei para cá achei que seria uma maravilha. Hoje, que conheço a situação, evito descer aqui. Faz oito meses que não
vinha na beira do rio’’, confessa.(F.C.)

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