Vizinhos da ruína crêem em histórias do outro mundo
Ver mesmo, ninguém viu nada além das espadas e pedaços de armas de fogo, que podem ser dos bandeirantes ou até dos guerreiros da Guerra do Paraguai encontradas com facilidade pelos moradores da região.
Porém, antes do cair da noite, quem mora perto das ruínas da Redução Jesuítica de Santo Inácio apressa o passo na hora de voltar para casa, afugentado pelo medo do correntão, que deixa o outro mundo para arrastar os incautos para dentro do Paranapanema, desaparecendo em suas águas sombrias.
''O meu pai sempre contava histórias que ele ouvia. Diziam que na beira do rio a gente podia escutar gemidos dos fantasmas. O pessoal andava por aí medroso, né. O povo também contava que tinha um tal de correntão amarrado numa figueira. Quem pegasse na corrente era levado para dentro do rio'', contou o agricultor Irineu Pereira dos Santos, 47 anos, vizinho dos ruínas.
Exibindo uma espada enferrujada e um pedaço do que seria o gatilho de uma arma, Santos diz que é comum achar objetos nas ruínas, lembrando que um amigo encontrou um cachimbo indígena.
''Achei as armas antigas no barranco do rio, onde a água baixou'', acrescentou Santos, que ajudou os primeiros arqueólogos que chegaram a região a encontrarem três ossadas.
O assunto nas rodas da vizinhança das ruínas quase sempre descamba para além do mundo dos vivos. ''De dia até passa perto das ruínas, mas para me convencer a ir lá à noite, dá um trabalho danado sô'', mudou de assunto o estudante Diego França Moreto, de 18, filho adotivo de Santos, que acompanhou a conversa com os olhos atentos de medo.(F.L.)





