Até a Constituição de 1988, as regiões metropolitanas brasileiras foram estabelecidas e definidas por ato do governo federal. Hoje, o processo depende dos interesses políticos dos estados. De acordo com a professora do departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná, Olga Lucia Castreghini de Freitas Firkowski, que desenvolveu um estudo sobre a Região Metropolitana de Curitiba, ''havia pouca vida de relações metropolitanas, de modo a justificar tal denominação'', na época em que a RMC foi criada. ''Não havia intensas relações entre os municípios componentes.''
Segundo a pesquisadora, os integrantes da primeira formação em nada foram favorecidos. ''O ponto forte de uma região metropolitana deve ser sua gestão, em Curitiba tudo esteve e está muito centrado no município sede e os demais são, por vezes, meros coadjuvantes nas decisões e políticas estabelecidas'', justifica.
Para o coordenador da Comec, Alcidino Bittencourt Pereira, a realidade pressionou órgãos do Estado a melhorarem a qualidade técnica dos programas e bem como as administrações municipais. ''As prefeituras se deram conta da necessidade de qualificação e melhoria constante dos técnicos desses municípios.''
Pereira explica que no início havia linhas de financiamento destinadas prioritariamente aos municípios integrantes da RMC. Hoje, o Estado colabora através da busca de recursos junto a instituições financeiras como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ''A capacidade de endividamento é do Estado e não dos municípios isoladamente'', ressalta.
O maior desafio que se apresenta é a ordenação do crescimento populacional. Enquanto a Capital vem crescendo 1,8% ao ano, os municípios vizinhos crescem em média 5,3% (é quase o triplo). ''Isso acarreta novos problemas permanentemente, que ultrapassam as atribuições dos municípios'', avalia o coordenador da Comec. ''A ênfase terá que ser na ocupação dos vazios urbanos, não há necessidade de ampliar o espaço que já existe. É preciso otimizar a infra-estrutura sem ter que ampliar serviços.''
De acordo com Olga Firkowski, as aglomerações urbanas são um fenômeno mundial. ''O que falta são políticas eficientes de enfrentamento dessa nova escala de análise e de intervenção. Não se trata mais de se fechar no âmbito do município como se essa fosse a escala ideal. Há que se criar novas instâncias de intervenção, não apenas voluntárias, como os consórcios, mas uma política que estimule o pensar coletivamente aquilo que antes era pensado em nível de apenas uma cidade'', arleta. (D.R.)

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