Vizinho barulhento
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terça-feira, 13 de março de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Numa tranquila rua às margens da pista de pousos e decolagens do Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, o motorista Sidnei Machado diverte-se com os filhos. A atração é o sobe e desce dos aviões, que há tempos era a obsessão de Augusto, 10 anos, e Aldo, 3. ''Sempre quis vir mas nunca dava tempo, aí hoje deu certo'', conta Augusto, enquanto tira várias fotos com o telefone celular do pai, que aproveitou uma folga para realizar a vontade dos garotos. ''O lugar aqui é bonito, gostoso, aí trouxe a piazada pra aproveitar'', revela Machado.
Mas o que é relaxante para o motorista, vira dor de cabeça para os moradores do local. A comerciante Odete Freire chegou no Jardim Aviação há mais de 30 anos. E ainda tem na memória as dificuldades que enfrentou até se adaptar. ''O problema maior era com as crianças, que sempre se assustavam e acordavam chorando no meio da noite, com aquele barulhão'', recorda. Os anos foram passando e o sobe e desce virou rotina. ''Hoje a gente nem percebe direito, só quando o avião é muito grande mesmo'', explica.
O aposentado Ernani Bassan também é um dos pioneiros do bairro. E comemorou quando saíram de circulação alguns aviões antigos de uma determinada companhia aérea. ''Aqueles eram terríveis, faziam um barulho ensurdecedor quando passavam. Sem contar que tremia a casa toda'', recorda.
O único incômodo atualmente, segundo Bassan, ocorre quando as aeronaves precisam arremeter, no momento do pouso. ''Geralmente elas já estão bem baixo, mas há algum problema na pista, algum animal ou outro avião. Aí eles tem que levantar de novo e dar a volta, passando bem rente em cima da casa. Até assusta um pouco'', confessa.
Os aviões que passam baixo também causam certa apreensão na aposentada Natália Rodrigues. ''Meio perigoso, né? Dia desses mesmo um passou bem pertinho do pinheiro que fica na casa da vizinha, quase batendo. Nessas horas assusta bastante'', confessa.
Sentada na frente de casa, o papo com as vizinhas Ana Veloso e Rose Almeida segue tranquilo, até o momento da reportagem conhecer outro empecilho enfrentado pela vizinhança do aeroporto. ''Quando a gente tá conversando tem que gritar, senão não escuta. E para assistir televisão o volume tem que ser bem alto, revela Rose. Para Ana, duro mesmo é receber visitas. ''Elas nunca gostam dessa barulheira, principalmente quando tem criança, que acorda assustada'', conta.
O Aeroporto Afonso Pena registra, em média, 150 vôos por dia, entre pousos e decolagens. Circulam por ali, diariamente, cerca de 9 mil passageiros. Nos fins de semana o movimento aumenta. E cresce também a movimentação na rua de dona Natália. ''Junta um monte de gente vendo os aviões, fica uma coisa bem divertida. Acho bem legal'', opina. A vizinha Rose conta ainda que o espaço ganha até ''comércio próprio''. ''Vendem de tudo por ali, desde comida e até bichos de pelúcia. Chega a ser engraçado'', define.
Além do Jardim Aviação, outros sete bairros fazem divisa com o aeroporto: Costeira, Quississana, Rio Pequeno, Aeroporto, Águas Belas, Cruzeiro e Afonso Pena. Ao todo, a região conta com aproximadamente 50 mil moradores.


