Vitrines
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de abril de 1997
Mariela de Castro Santos 
Fotos de Divulgação
O efeito de infinito, conseguido pelo uso de espelhos no chão e no teto da vitrine, foi idéia de Hans Donner para a exposição de televisores
Uma vitrine, antes de ser uma exposição de mercadorias, é o que transforma um produto em objeto do desejo. Embora pareça óbvia, a constatação ainda não é comum entre os lojistas brasileiros, acostumados a considerar as vitrines supérfluas.
Foi com o objetivo de reverter esse preconceito que a decoradora Luz Marina Simonsen e o publicitário Alex Periscinoto conceberam a 1ª Mostra Nacional de Vitrines Shopping Eldorado, que aconteceu em São Paulo em setembro do ano passado e está correndo o Brasil. A exposição convidou seis artistas plásticos - Cláudio Tozzi, Antônio Peticov, Caciporé Torres, Cléber Machado, Hans Donner e Luiz Henrique Marcondes - para criar vitrines para marcas famosas de renome nacional. Os curitibanos não viram a exposição, mas puderam aproveitar esta semana um evento por ela gerado: um workshop que discute as principais dúvidas, acerca de vitrinismo, de quem lida com comércio.
Com a palavra, três especialistas no assunto: a própria organizadora do evento, Luz Marina Simonsen, a vitrinista Marília Mauzoni e o artista plástico Antônio Peticov, que assinou a vitrine para produtos Kodak na mostra. Cada um abordou um aspecto da vitrine: sua concepção e histórico, a criatividade e a arte a serviço do marketing, e conceitos práticos como iluminação e cenografia.
A vitrine tem que reunir o apelo emocional com o objetivo de vender, ensina Marília Mauzoni, que dá aulas sobre o assunto na Faculdade Armando Álvares Penteado (SP) e trabalha com vitrinismo desde 1981. A vitrine exige um projeto, feito a partir de um briefing com informações sobre o produto, o público-alvo e o objetivo do lojista, dentro de um determinado orçamento.
O artista plástico Antônio Peticov concebeu uma pirâmide para exibir os produtos de fotografia, mostrando que arte e vitrinismo caminham juntos
O mito do alto custo também é algo que contribui para afastar os lojistas dos vitrinistas. Luz Marina Simonsen reforça, porém, que uma boa composição pode ser feita com muita criatividade e pouco dinheiro, mas sempre pensando em chamar o consumidor para dentro da loja. As lojas brasileiras, de maneira geral, preocupam-se muito pouco com a estética, ignorando que o acúmulo de produtos e a exposição não-planejada acabam afastando o consumidor.
A 1ª Mostra de Vitrines deu tão certo, tanto em São Paulo quanto nas outras capitais em que esteve (Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Maceió), que os organizadores já estão preparando uma segunda edição, para setembro deste ano. Curitiba, que ficou de fora desta edição, já é a primeira candidata a receber a próxima. O Shopping Mueller vai investir cerca de R$ 30 mil para sediar a exposição. O conceito de arte dentro da vitrine tem tudo a ver com a filosofia do shopping, exulta o diretor de marketing do Mueller, Marcos Villanova.


