Beto Richa teve 778.514 votos nas últimas eleições à Prefeitura de Curitiba ou 77,27% do total. Venceu. Lauro Rodrigues teve 888 votos ou 0,09%. Perdeu. "Não sou nem bobo, nem louco. Minha proposta não era ganhar a eleição. Mas colocar o partido na vitrine", explica o candidato derrotado. Lauro, 40, conta que faz política desde os 14, quando acompanhava seu pai em campanha para vereador. Topou entrar pela primeira vez em um pleito a pedido da executiva nacional do PTdoB, que queria aproveitar os segundos de televisão para promover o partido e encontrou em Lauro "o único nome de expressão para ir à TV", como ele próprio define.
A decisão, em sua opinião, foi prematura; entende que não estava preparado. Mas os objetivos foram alcançados: o partido esteve em exposição, para o bem e para o mal. "Todo mundo sabe que o 70 é o número do meu partido", afirma. Lauro utiliza a palavra "trampolim" para explicar o feito que o deixou consternado, mas que acabou virando mote de sua campanha; o branco do primeiro debate e o sucesso no YouTube, que mais tarde chegou à TV aberta e à matéria na revista piauí, porém, não lhe renderam mais votos. Buscando recuperar o tempo perdido, findas as eleições, Lauro Rodrigues voltou a assumir o seu posto na área comercial da empresa da família - que desenvolve tecnologia e vende produtos para iluminação pública.
De volta à rotina no Banco Central, onde trabalha desde 1973, Maurício Furtado, 59, outro dos oito competidores à vaga de prefeito, sentiu uma tremenda calmaria. "Foi estranho ter horário para chegar em casa", conta. Por 90 dias, como é de direito aos funcionários públicos, tirou licença para a campanha. Furtado dá risada quando questionado se poderia vencer a eleição. "Esse risco eu não corria", diz. Mas afirma com convicção que não teria o menor temor de assumir e montar uma equipe se esse fosse o caso. O PV, seu partido, esperava fazer 1% dos votos; ele, um pouco mais. "Fiz quase nove mil". Ou 8.906 votos, 0.88% do total.
Quando Furtado foi abordado por um ciclista encapuzado há poucos dias, se questionou o que tinha feito por merecer um assalto. "Mas era o Sérgio Magrão do partido; me perguntou se eu era o Maurício Furtado. É surpreendente como as pessoas te reconhecem." A exposição pública, porém, não veio acompanhada de uma perda de senso repentina. "Eu não tenho a ilusão de que a situação me permite disputar o cargo de deputado. Foi importante mostrar nossa capacidade de exposição, mas um por cento não elege ninguém."
Opinião diferente

Outro candidato deste pleito tem opinião diferente dos dois já citados nesta reportagem - a vez dos demais vem logo abaixo; dos oito, Beto Richa foi o único não entrevistado. "Nunca entrei em nada para perder. Mas depois vimos que as dificuldades eram maiores do que imaginávamos", conta Carlos Moreira, 49, que foi reitor da UFPR por seis anos. Agora, ele voltou ao trabalho do dia-a-dia como professor titular de Oftalmologia na universidade além de médico no Hospital de Olhos do Paraná.
Moreira esperava fazer ao menos 5%, mas, a quinze dias das eleições foi perdendo as esperanças. "Temos que fazer uma reflexão séria. Será que precisamos de tantas pesquisas? Duas por semana me parece demais." Moreira, do PMDB, o mesmo partido do governador, acredita que muitos deixaram de votar nele por entender que a eleição já tinha outro vencedor. Como lembra de cabeça, recebeu 19.157 votos, ou 1,90% do total. "Fui um vencedor. Mostrei as minhas propostas e que sou capaz de administrar a cidade."
Gleisi Hoffmann, 43, está se dedicando à presidência estadual do PT. Em sua opinião, fez uma boa campanha, em que acredita ter demonstrado que é possível fazer diferente. "Obviamente que, quando você perde, não é o que você deseja. Mas aprendi muito", diz. De uma coisa está certa: no futuro não será prefeita de Curitiba. "Não voltaria a disputar as eleições municipais. Acho que já dei a minha contribuição."
Gleisi conta que a campanha deu-lhe uma outra perspectiva, desde o andar pela cidade ao relacionamento com as pessoas. Entrou com uma expectativa e saiu com outra: "183 mil e poucos votos". Os 183.027 ou 18.17% não foram suficientes para levar a disputa para o segundo turno.

mockup