Curitiba - Entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. É o que custa para o sistema público de saúde o tratamento completo para as vítimas de acidentes graves com moto. E, a julgar pelo aumento de 15,5% na frota e o alto índice de acidentes na Capital, os gastos do Estado só tendem a crescer.
No Hospital Cajuru, credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e referência no atendimento ao trauma em Curitiba, os pacientes não param de chegar. ''Não só aumentou a quantidade de acidentados como o índice de mortes'', garante o ortopedista Daniel Pundek Tenius. Os dados do BPTran confirmam a declaração do médico. De 2006 para 2007, houve um aumento de 95,6% no número de mortes entre motociclistas no Paraná.
''No dia-a-dia do hospital, é muito mais fácil encontrar vítimas graves de acidentes com moto do que com carro'', compara Pundek. Os pacientes de casos considerados graves quase sempre apresentam traumatismo craniano e polifraturas. Entre os menos graves, são comuns as fraturas expostas em membros inferiores (principalmente no fêmur e na tíbia) e a perda de tecido. Nessa última situação, um cirurgião plástico é acionado.
Após ser atendido pela equipe multidisciplinar do hospital, o paciente continua a ser acompanhado pelo ambulatório. A recuperação pode levar meses, mas muitos abandonam o tratamento antes do tempo previsto. Para Pundek, essa interrupção custa caro para os cofres públicos, pois os acidentados retornam com os problemas agravados. ''Deveria haver uma campanha de conscientização na mídia. A Sociedade Brasileira de Ortopedia até promove algumas na área de trânsito, mas não nesse sentido específico'', aponta o ortopedista.
Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio da assessoria de comunicação, que não desenvolve qualquer tipo de programa voltado especialmente para os acidentados com moto.
Segundo a secretaria, o trabalho de conscientização para que as vítimas não abandonem o tratamento se dá exclusivamente pela relação entre médico e paciente.

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