Estudo feito no Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) alerta: crianças e adolescentes obesos e com carência de vitamina A - presente em alguns legumes, verduras e frutas, no leite, no fígado e em ovos - têm seis vezes mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares do que os considerados saudáveis.
A combinação é perigosa porque a vitamina, além de proteger os vasos sanguíneos do coração, combate os radicais livres, que alteram os níveis de LDL, o chamado colesterol ruim, e o HDL, o colesterol bom. O aumento do peso também altera as taxas. Ou seja: a pessoa que ingere pouca quantidade da vitamina e é obesa é muito mais propensa a ter problemas no coração.
Uma equipe de quatro pesquisadores, orientados pela diretora do Instituto de Nutrição, Andréa Ramalho, entrevistou e colheu amostras de sangue de 432 jovens de 7 a 17 anos de uma região pobre do Rio. Eles detectaram que 15,2% estavam acima do peso. Avaliaram também que 12% do total tinha falta de vitamina A e 50,9%, de carotenóides, que são compostos da vitamina presentes em frutas e legumes de cor alaranjada, como mamão, cenoura e manga.
Os estudiosos verificaram que quanto mais gordo era o pesquisado menor era o nível de carotenóides em seu organismo - o que o torna mais propenso a sofrer de doenças cardiovasculares. Andréa explicou que isso ocorre porque o organismo do obeso tem necessidade maior de combater os radicais livres, já que eles são produzidos em maior quantidade. Assim, os carotenóides não dão conta da demanda, o que leva ao aumento do LDL e à diminuição do HDL.
Campanha - A diretora do instituto defende a conscientização das famílias para que as crianças sejam acostumadas desde cedo a controlar o peso e a comer os alimentos ricos em vitamina A. ''Verificamos que a maioria não come simplesmente porque não gosta. É preciso mostrar a importância da ingestão desses alimentos e os pais têm de dar o exemplo'', afirmou. Andréa defende que seja feita uma campanha nacional, nos moldes das campanhas de prevenção à aids, para alertar a população.
Apesar de ter apenas 11 anos, o estudante Thiago Mannes Barreto já compreende a necessidade de escolher com cuidado o que come. Ele está fazendo dieta há cinco meses para emagrecer dez quilos e mudou sua alimentação para se sentir melhor e ter mais saúde. Thiago já perdeu seis quilos por meio da reeducação alimentar proposta pelos Vigilantes do Peso, que lhe foi aconselhada pelo pediatra.
''Antes, comia salgadinho na escola e não tinha vontade de almoçar quando chegava em casa'', contou o menino, que tem 1,53 metro e agora está com 49 quilos.
Hábito - Cristine Bolite, que orienta o grupo de 20 jovens dos Vigilantes do Peso do qual Thiago faz parte, explicou que muitos deles não têm o hábito de comer legumes, verduras e frutas porque os pais não incluem esses itens na lista de compras.
As mães, muitas vezes, chegam tarde em casa e alegam não ter tempo de preparar saladas. ''Eu sempre converso com os pais, porque não é a criança que vai para a cozinha preparar a comida'', disse Cristine. ''Não há desculpa para não comer fruta, porque é só lavar.'' Ela tenta mostrar aos jovens que a ingestão de alimentos saudáveis é fundamental no processo de emagrecimento. ''Isso funciona porque eles estão infelizes com o corpo e querem mudar'', acredita.

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