Vitalidade depende de respiração longa e lenta
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domingo, 28 de janeiro de 2007
Guilherme Borges<br> Reportagem Local 
Com licença. Antes de começar a ler este texto, preste atenção na sua respiração. Como ela está? Curta ou profunda? Agora responda: quantas vezes você já pensou sobre como respira? Na urgência do cotidiano, poucas vezes (ou nenhuma, em alguns casos mais críticos) fazemos isto, mas acredite, respirar corretamente é um ato tão importante para a sua vitalidade quanto é involuntário.
Os indianos, como conta a praticante de ioga, Taís Benato, acreditam que os homens nascem com uma quantidade de respirações pré-determinada. Acelerar este número - respirando rapidamente e de maneira curta - pode, inclusive, abreviar a vida. ''Por isso, eles orientam que o adequado é a respiração longa e lenta, que, na verdade, nada mais é do que uma forma de alimentar o nosso corpo e promover saúde''.
Taís, que também é bióloga, explica que é através do ato respiratório que as células humanas recebem seu principal nutriente, o oxigênio. Além disto, também se elimina - via expiração - as moléculas tóxicas de gás carbônico.''E tão importante quanto a distribuição da energia vital, necessária para uma vida saudável'', completa a monja zen-budista, Cecília Eiko de Freitas. Ela é terapeuta shiatsu e afirma: respirar é um jeito simples de acalmar a mente e diminuir o estresse.
''Quem está estressado, a primeira coisa que faz é respirar superficialmente e rápido. Não inspira ar suficiente e nem distribui esta energia pelo corpo. Ao longo da vida, esta pessoa vai perdendo a vitalidade'', assegura. Isto porque, segundo ela, todos os humanos têm um ponto de vitalidade que fica quatro dedos abaixo do abdômen e precisa ser constantemente alimentado pela respiração. ''Quando não se respira profundamente a ponto de atingi-lo, perde-se esse equilíbrio vital''.
De acordo com Taís, na ioga aprende-se que a respiração deve atingir abdômen, tórax e pescoço e deve ser feita pelo nariz. ''Muita gente, quando começa a fazer ioga, conclui que não sabia respirar direito. E isto é verdade, as pessoas não utilizam toda a sua capacidade. Controlar a respiração em situações tensas, por exemplo, ajuda a ter clareza para resolver melhor o seu problema'', garante.
O ideal é expirar em dobro do ar que se inspirou. ''Deve-se fazer isto porque o pulmão preserva uma quantidade de ar, chamado residual. Se inspiramos e expiramos rapidamente, esse resíduo de ar não é liberado e então não permitimos que esse processo seja feito profundamente, porque a sensação é de que o pulmão já está vazio, mesmo havendo ar lá dentro ainda'', complementa Cecília.
Além da falta de distribuição de energia, uma respiração inadequada - feita rapidamente e pela boca, por exemplo - ainda pode causar problemas estéticos, mastigatórios e alterar o paladar. O alerta é da dentista Dalva Inês Dambros. ''A maioria da população tem respiração mista (boca e nariz), entretanto, isso não causa uma boa formação óssea, que permite que a mastigação seja feita corretamente, inclusive''.
Ela destaca que a respiração bucal, feita desde a infância, pode ainda causar complicações posturais, por isso, dá a dica: ''Os pais devem ficar atentos à respiração dos filhos desde pequenos. Percebendo que há frequente obstrução nasal ou o hábito de respirar muito pela boca, é aconselhável um acompanhamento fonoaudiológico''.


