Vista alegre, vida tranqüila
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Se os bairros tivessem bandeiras próprias, a do Vista Alegre, localizado na região norte de Curitiba, teria que ser verde. A cor representaria os bosques (do Alemão, Gutierrez e Vista Alegre), praças e jardins existentes na região, que conferem uma média de 84,03 m2 de área verde por habitante, número bem superior ao do resto dos curitibanos, que é de 49 m2.
O verde também faria referência à renda média dos moradores do bairro, que, segundo dados do censo de 2000 disponibilizados no site da prefeitura, é de R$ 2.079,83, uma das maiores da cidade. É dentro do Vista Alegre que está o Jardim Schaffer, uma das áreas residenciais mais nobres da capital paranaense.
No centro da bandeira poderia haver uma colina, simbolizando a geografia característica do bairro. Esse, aliás, é um dos motivos do seu nome. Conta-se que os primeiros moradores montaram suas residências nas regiões mais altas. Um desses pioneiros teria colocado em frente à sua propriedade uma placa com o nome Vista Alegre, devido à beleza da paisagem que desfrutava. Por se tratar de uma das partes mais altas da cidade, algumas emissoras de rádio e televisão se instalaram por ali.
Outro elemento que não poderia faltar nessa bandeira imaginária do Vista Alegre é algo que simbolize a tranqüilidade que reina na região. Segundo Tuffi Mendes, morador do bairro há 40 anos e proprietário do bar e restaurante Bate papos, seu estabelecimento nunca sofreu um assalto. Aos 57 anos e com um filho de um ano e meio, ele não cogita a hipótese de deixar a região, acha um bom ambiente para criar o pequeno Victor.
Não é bom, é superbom, é a melhor qualidade de vida da cidade, entusiasma-se o comerciante Alfredo Batista, morador do bairro há 25 anos. Tem uns granfinos lá no Batel, mas aqui é bem melhor, compara.
Mas tamanha tranqüilidade tem algumas desvantagens. Na opinião do comerciante José Alberton Kuntz, o bairro é bom para morar, mas para o comércio nem tanto. Ele conta que sua mercearia perdeu parte da freguesia depois da vinda de dois hipermercados para a região há cerca de cinco anos.
Outro comerciante local, Bruno Manedio, de 26 anos, concorda que a concorrência prejudicou as vendas, mas não considera esse fator muito grave. Segundo ele: Muitos dos moradores são idosos e não podem se locomover muito. Como não posso concorrer com o preço, ofereço o diferencial da proximidade, afirma.


