Visões de ontem e hoje
Apesar do crescimento acelerado, ainda é possível encontrar, até mesmo na região central, representações antigas ao lado de imagens contemporâneas. Um edifício imponente divide o espaço com uma casa modesta, demontrando que ''em certos lugares, o passado se faz presente'', segundo a visão que o fotógrafo Felipe Prando tem da Capital. ''Espalhados pelo território da cidade, esses lugares (re) definem fronteiras'', analisa o professor do Núcleo de Estudos da Fotografia.
Também muito distante das visões de cartão postal, a imagem escolhida pelo fotógrafo Mauro Frasson para ''traduzir'' Curitiba mostra a cena noturna de uma enchente, resultado de um temporal do verão passado. A Rua Visconde de Nácar, no Centro, ficou parecendo um rio caudaloso. ''Na correria do dia-a-dia a gente não se dá conta do impacto da natureza sobre os espaços urbanos, só quando acontece algo assim'', comenta Frasson.
A Curitiba que sofre as consequências da ''modernidade'', muitas vezes expandindo-se sem a infra-estrutura necessáaria, é a mesma que produz nas ruas manifestações artísticas e culturais que sugerem mudanças e outros olhares.
Até mesmo para quem se recusa a ver. A publicitária e fotógrafa amadora Cybelle Godoy, 25 anos, nascida em Goiânia e criada na capital paranaense, acompanhou o grupo de ''break dance'' Footwork Crew, em novembro de 2007, e ''clicou'' vários momentos da turma que mantém viva a dança de rua, a arte em grafite e o hip hop, apesar do conservadorismo que leva à desconfiança.
''A cultura de rua é uma parte de Curitiba que pouca gente quer ver. Muitos ainda associam essas manifestações ao vandalismo, à marginalidade. Durante o trabalho, vi muitas pessoas atravessando a rua para não passar perto do grupo que estava dançando'', diz Cybelle. A foto escolhida para o Folha Curitiba mostra os rapazes se apresentando no lugar onde tudo começou, nos anos 80: o pátio do shopping Itália, no Centro. (L.X.)





