Parece uma alergia, mas os dias passam e as bolinhas arredondadas continuam na pele da criança. E o pior, multiplicam-se. O problema, que tem levado muitas crianças em idade pré-escolar para os consultórios médicos, é causado por poxvírus, um microorganismo que adere à pele. Chamada molusco contagioso, a doença tem tirado o sono dos pais.
''Isso geralmente ocorre entre o fim do inverno e o início da primavera, porque é uma época em que a pele das crianças está mais seca e desprotegida, facilitando a fixação do molusco'', diz Ana Mósca, dermatologista da Sociedade de Pediatria do Rio (Soperj).
Dentro de cada lesão, há uma massa branca. E a cada vez que a região é machucada e seu conteúdo entra em contato com a pele, surgem novas lesões.
''Cada vez que a criança arranca uma bolinha e depois toca outra parte da pele, surgem novas lesões. Por isso, é importante procurar um médico assim que surgirem as primeiras. Ele vai fazer a retirada daquela massa, evitando a proliferação do vírus na pele da criança'', afirma Walter Kozmhinsky, presidente do departamento de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.
O único tratamento contra a doença é a retirada das bolinhas da pele, que pode ser feita de várias formas. Com um ácido - que deve ser usado com recomendação médica - ou por curetagem, técnica que necessita de instrumentos médicos.
A contaminação ocorre através do contato direto com um doente. ''O poxvírus é transmitido quando uma criança encosta no conteúdo da lesão da outra'', diz Kozmhinsky.
Segundo Ana, a única forma de prevenção - além de não ter contato com os doentes - é usar hidratante infantil quando a criança estiver com a pele ressecada.
O molusco, que costuma afetar crianças com até 5 anos, é uma doença contagiosa. Apesar disso, as crianças infectadas não precisam parar de frequentar a escola, garante a pediatra Isabella Ballalae, diretora-médica da Urgências Médico-Escolares (Urmes), que presta serviço a mais de 300 escolas no município do Rio.
''É uma doença endêmica no meio escolar. As crianças não precisam deixar de frequentar a escola'', diz Isabella.
Segundo Walter Kozmhinsky, diretor do departamento de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a doença - que pode afetar todo o corpo da criança - geralmente desaparece naturalmente:
''O ciclo do molusco contagioso é de seis meses a dois anos. A doença, mesmo quando não é tratada passa em, no máximo, dois anos. Casos graves, no entanto, devem ser acompanhados por um médico.

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