Violência contra travestis preocupa ONG
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
A diferença entre uma travesti e uma transexual é apenas uma. Enquanto a segunda precisa fazer a operação de mudança de sexo para se sentir bem, a primeira não sente esta necessidade e convive de forma pacífica com o órgão sexual com o qual nasceu. Fora essa questão, tudo é muito parecido. A forma de se vestir e a aparência feminina são as mesmas. O preconceito e a forma como são tratadas pela sociedade também são iguais.
Um dos problemas enfrentados por esse público pode ser medido por um dado divulgado pelo Grupo Dignidade (Ong de Curitiba que luta pelo direito de gays, lésbicas, travestis e transgêneros). Do final de 2007 até o final de 2008, 30 travestis e transexuais foram mortas em Curitiba e Região Metropolitana. Segundo a Ong, nenhum caso foi resolvido e ninguém foi preso.
O que acontece com as travestis na Capital paranaense reflete o que é realizado no resto do Brasil: preconceito, exclusão social e insegurança. De acordo com o Grupo Dignidade, uma pesquisa foi realizada e constatou-se que travestis ou transexuais sofrem 72 vezes mais preconceito se comparado com um homossexual. "Tem gente na sociedade que acha um afronto a questão de uma pessoa biologicamente nascida homem ter um corpo feminino e assumir uma identidade de mulher. Isso acaba refletindo em exclusão e violência", diz a presidente do Grupo Dignidade, a transexual Rafaelly Wiest.
Em Curitiba, 90% das travestis e transexuais trabalham como profissionais do sexo. As outras 10% atuam como cabeleireiras, donas de pensão e donas de casa. Apenas uma delas é professora de história da rede pública, com pós-graduação. "Uma questão que deixo muito claro é que muitas delas não estão nas ruas por opção. Não podemos generalizar. Às vezes é a única opção. O mercado de trabalho formal está cada vez mais competitivo para todo mundo. Hoje é necessário sempre estudar e correr atrás de informações para manter o emprego. Agora imagina uma travesti concluir os estudos. É muito complicado. Existe preconceito dos alunos e também de alguns professores. Outra questão é a exclusão da família. Dificilmente um empregador vai abrir as portas para uma travesti.", conta Rafaelly.
Poucas conseguem ultrapassar esta barreira e concluir os estudos. Foi o que aconteceu com a presidente do Grupo Dignidade. A transexual terminou o Ensino Médio e chegou a trabalhar em mercado e padaria. O último emprego antes de trabalhar na Ong foi o de encarregada de confeitaria, com carteira assinada. Para isso, o apoio da família é importante, além da força de vontade em encarar o preconceito de frente.
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