Violência agiliza criação de conselhos de segurança
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
A crescente violência em Curitiba - que chegou a fazer com que a capital paranaense figurasse entre as mais perigosas do Brasil, segundo levantamento do governo federal - preocupa os moradores. Não são raros os grupos que buscam instalar conselhos de segurança (consegs) com o intuito de garantir mais iluminação nas ruas, melhor policiamento preventivo, acesso mais rápido aos policiais militares.
Mensalmente, os integrantes dos conselhos se reúnem e tentam dialogar com os setores de segurança do Estado para buscar alternativas. ''O trabalho é bem detalhado. Os consegs atuam efetivamente na busca de melhorias, críticas e sugestões. É uma parceria em busca de se resolver problemas locais'', definiu Júnior Zarur, coordenador estadual dos conselhos de segurança da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
Curitiba e Região Metropolitana abrigam um total de 64 conselhos. Todos regidos pelo Decreto 2332, de dezembro de 2003. As reuniões ordinárias ocorrem mensalmente e sempre no período noturno. Em todas as reuniões estão presentes representantes da Polícia Militar e do Distrito Policial da região.
''Os membros são sempre do bairro, com conduta sem problemas. Verificamos se são todos de conduta regular, sem problemas com a polícia ou a justiça. Nas reuniões, ocorrem prestações de contas da polícia para a comunidade. Os conselhos são como um projeto de gestão e passa por avaliações periódicas do próprio secretário'', relatou Zarur.
Existem dados sobre a atuação dos consegs e a redução da criminalidade local, segundo Zarur. Mas nenhum número pôde ser divulgado, supostamente por questões estratégicas. O tipo de criminalidade em cada bairro e as formas de atuação para prevenção são discutidos, segundo Zarur, com a comunidade que ajuda a definir estratégias.
Além da ação de repressão (própria da Polícia Militar), os conselhos fazem programas de melhoria social. ''Existem ações de repressão que são desenvolvidas conjuntamente. A verdade é que isso não é o bastante. São pensados então programas sociais. Todos sabemos que os fracassos sociais se afunilam na segurança. O desemprego é um problema. A segurança é a ponte do problema. Por isso, os consegs tentam atuar na totalidade'', ponderou.
Além dos conselhos de segurança voltados para os problemas do bairro, alguns conselhos inovaram e já estão inaugurando setores voltados para a questão de gênero (Conseg Mulher) e do encaminhamento profissional (Conseg Jovem). Em todo o Paraná, já foram criados 212 conselhos de segurança.


