Violeiros fazem de ponto de encontro uma celebração da música caipira
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sábado, 11 de agosto de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
A história do Brasil conta que, entre outros motivos, a mecanização das lavouras, a má distribuição de terras e a industrialização das cidades, provocaram um grande êxodo rural a partir da década de 1950, expulsando do sertão boa parte dos verdadeiros roceiros.
Quando foi morar na cidade, o caipira - definido pelo dicionário Aurélio como capiau, jeca, matuto, caboclo, roceiro, sertanejo - passou a ser considerado urbano para as estatísticas, mas continuou com o coração batendo na sintonia das coisas do campo.
Aqui pelas bandas do Norte do Paraná, mesmo a geração ''Coca-Cola'', que mal sabe o que é um bicho-de-pé, tem pais ou avós que vieram das lavouras. Em outras palavras, é difícil achar quem não tem pelo menos um ''cadinho'' de sangue caipira correndo pelas veias.
E a prova concreta de que a cultura sertaneja continua viva está nas músicas de raiz. Os acordes chorados de violas e violões resgatam a tradição do caboclo de exaltar as coisas do campo, histórias de amor e causos em forma de canção. A verdadeira música sertaneja mostra a essência de um sujeito que gosta de paz e de boa amizade.
Alto escalão - Em Londrina, um ponto de encontro dos amigos violeiros é o Bar do Paulista, que fica no Jardim Ipiranga (Região Central). Ali, na beira do balcão, entre uma cerveja e outra, gente do alto escalão da música cabocla desfila seu talento.
E não estamos exagerando quando falamos em alto escalão, para se ter uma idéia, uma das ''figuras carimbadas'' do bar é o cantor e compositor Rossi. Autor de mais de 400 músicas, ele escreveu, entre outros sucessos, ''As andorinhas'', que o Trio Parada Dura gravou em 1986, fazendo gente de tudo quanto é rincão desse país sair cantarolando o refrão ''uma andorinha voando sozinha não faz verão.'' O LP que levou o nome da música vendeu, oficialmente, mais de 2 milhões de cópias.
''Naquele tempo havia muitas andorinhas em cidades como Cianorte aqui no Paraná e em Rio Preto, São Paulo. Viajávamos para fazer shows e ficávamos observando que elas iam e voltavam conforme a época, então resolvemos escrever. A canção nasceu no balcão do Bar do Chanceler (também em Londrina), ponto de encontro de violeiros naquele tempo'', conta o compositor, que escreveu a música em parceria com Alcino Alves, com quem cantava na época, e que hoje é o Sampaio, que faz dupla com Teodoro.
No mundo da música, assim como com as andorinhas, os sucessos vão e voltam. Vinte e um anos depois de a música estourar nas paradas, ''As Andorinhas'' está novamente na lista das mais executadas, dessa vez nas vozes de Edson e Hudson.
Menino da roça - Nascido em Jandaia do Sul, Rossi veio com seus pais para Londrina aos quatro anos, mas nunca deixou de ser ''um menino da roça'', como faz questão de dizer. Compositor de outras músicas de muito sucesso, como ''Vestido de Seda'', hoje ele se dedica a escrever hinos de cidades e jingles, algo que faz com a mesma facilidade com que compõe as músicas sertanejas. ''Já cansei de escrever às 3h da madrugada. Inspiração não tem hora'', revela o músico que também está divulgando o CD, ''Cacetada de Tributos'', no qual canta com Almir Salles.
Outro frequentador assíduo do bar é o cantor Mauro Petters. Com 15 anos de carreira e indo para o segundo CD, ele dá graças aos amigos que fez por ali. ''Uma coisa importante aqui é a amizade e a união. Foram os amigos do Bar do Paulista que fizeram uma 'vaquinha' para bancar o meu primeiro CD'', relata Petters. ''Aqui mandamos o estresse embora e também buscamos inspiração'', completa Rossi.
Para o dono do bar, Moair Cata Preta Campos, ou Paulista, como todos o conhecem, fica a satisfação de ver uma clientela tão talentosa e a alegria ecoando em seu estabelecimento. ''Aqui sempre tem boa música'', orgulha-se.


