Albari RosaRevolução econômicaA partir da Renault, a indústria paranaense se consolida como o principal segmento econômico do EstadoA instalação da Renault em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) é o principal marco de um processo de transformação do perfil econômico do Paraná. Maior investimento externo em projeto novo no Brasil desde a instalação da Fiat em Betim (MG), em 1973, a fábrica despertou o interesse de outros empreendimentos da iniciativa privada no Estado.
A Renault assume um caráter emblemático nesse processo pela força que os investimentos de US$ 1 bilhão da empresa francesa representam em qualquer economia. Mas, o governador Jaime Lerner, que trabalha com a programação de atração de investimentos projetados em mais de US$ 12 bilhões - que podem chegar a US$ 18 milhões - até o final de seu governo, lembra que a transformação se iniciou com um planejamento estratégico que deu prioridade à criação de uma ‘‘infra-estrutura funcional’’ no Estado, sem que para isso fosse - e seja - preciso recorrer à renúncia fiscal.
Essa aproximação da economia paranaense para uma vocação mais industrial, que agrega valores também na base de produção agrícola, é a segunda grande alteração radical que ocorre no Paraná em 16 anos. Na década de 80, o setor industrial do Estado deu partida a uma reação, alterando sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) paranaense de 20% para 33%.
De uma indústria, que antes dos anos 70 era constituída basicamente de atividades de beneficiamento de produtos agrícolas, com tecnologia pouco elaborada e, portanto, com volume de retorno modesto, o Estado assistiu ao crescimento de um processo bem nítido de incorporação de novos ramos na economia, com o emprego de um maior grau de processamento da matéria-prima.
Em meio a um cenário que confirma uma ‘‘guerra fiscal’’ perene entre os estados que buscam ampliar os mecanismos de atração e de geração de empregos, o Paraná confirma a determinação de que não é preciso a renúncia fiscal para competir e ganhar. Os indicadores apresentados à Renault garantem que o Estado possui as melhores condições do Sul do Brasil para atrair novos investimentos nacionais e estrangeiros.
VantagensA infra-estrutura do Paraná inclui uma malha rodoviária com 12.739 quilômetros de estradas pavimentadas, 46 aeroportos públicos e privados, dos quais 40 são pavimentados, o maior terminal exportador de grãos do País, o Porto de Paranaguá. Soma-se ainda a isso, um sistema ferroviário de 2,4 mil quilômetros, que ganhou um novo reforço no primeiro semestre de 96, quando teve início a fase de operação comercial da Ferroeste, um novo trecho ferroviário de 249 quilômetros interligando Guarapuava e Cascavel, no Sudoeste do Estado.
Além disso, o Paraná possui uma eficiente rede de telecomunicações, com 842 mil linhas em operação, 23 mil telefones celulares e 16 mil telefones públicos em serviço.
Auto-suficiente na produção de energia elétrica e ainda responsável pelo abastecimento de outros estados do Sul e do Sudeste do País, o Paraná contabiliza 2,4 milhões de consumidores dentro do sistema atendido pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) e está construindo mais uma hidrelétrica, a de Salto Caxias, que será concluída em 1999, com potência instalada de 1.240 megawatts.
Esse cenário consolida o Paraná como o Estado que reúne o melhor conjunto de condições para atrair investimentos produtivos. Ao mesmo tempo, consolida o modelo de desenvolvimento auto-sustentável, reforçado também pela localização privilegiada do Estado, como principal centro estratégico do Mercosul.
É nessa esteira que a indústria paranaense, que teve início em 1820, quando Morretes e Antonina, no Litoral do Estado, receberam as primeiras instalações para processamento da erva-mate, prepara um novo salto.

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