A filha liga para a mãe de dentro do bar e diz que acaba de ter sido pedida em namoro, no exato local onde os pais se conheceram. Uma coincidência tão romântica não deixa dúvidas sobre o perfil e a idade do local onde a cena se passou, o Bar e Restaurante Vilão, na Rua Sergipe, no Centro de Londrina. Fundado em 27 de janeiro de 1978, ele é o mais antigo bar da cidade nesses moldes: um local fechado, com ambiente interno à meia-luz, cheio de estilo e com ares de pub.
O publicitário paulista William Amador Bueno de Moraes, 51, é o fundador e continua sendo o proprietário do Vilão, junto ao qual reside até hoje. Para a decoração, uma das maiores atrações do bar, o empresário utilizou antiguidades, incluindo instrumentos musicais, pôsteres de filmes e livros, quadros japoneses e até um capacete da revolução de 1932. ''Coloquei nas paredes tudo que a mãe não deixa'', brinca.
Segundo Moraes, ao longo dos quase 27 anos do Vilão, o mesmo ambiente que atraiu casais muitas vezes também serviu de pano de fundo para discórdias amorosas. ''Certa vez, um rapaz ficou tão aborrecido porque a namorada tinha levado um monte de amigas para o bar, que se levantou, xingou todo mundo, botou o sapato em cima da mesa e foi embora'', recorda.
Um ano depois da inauguração do Vilão, surgia o Valentino, talvez hoje o bar mais conhecido da cidade. Sobre ele, paira uma pergunta: para onde vai o bar por onde passaram poetas como Paulo Leminski? O terreno onde fica o bar, na Avenida Bandeirantes (Centro), foi vendido e os proprietários estão correndo contra o tempo para encontrar um outro local.
Há apelos para ''transplantar'' a casa de madeira para o novo terreno, ou até mesmo exigir o tombamento do bar como patrimônio cultural. Mas para Valdomiro Chammé, 46, proprietário do bar há 14 anos junto com a esposa Rosângela, manter a estrutura física do bar não é a maior preocupação. ''O principal é encontrar um terreno não muito distante e financeiramente viável. Cerca de 70% dos frequentadores vêm à pé. Se ele for para longe, muda o próprio perfil do bar.'' (V.N.)

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