‘‘O pior já passou’’, é o senso comum entre os calouros quando descobrem que passaram no vestibular. De fato, é impossível não sentir um alívio, uma sensação de ‘‘missão cumprida’’ após meses de estudos e pressão de todos os lados. O que os recém-aprovados esquecem é que o maior passo ainda está por vir: a vida universitária. E quando entram nela, muitos passam da euforia à frustração.
  O problema está na imaturidade observada atualmente em grande parte dos estudantes universitários, analisa o psicanalista Ailton Bastos. Ele afirma que essa característica não está restrita aos adolescentes - calouros de 17 anos são cada vez mais numerosos -, mas se estende a jovens que, ao menos cronologicamente, já poderíamos chamar de adultos.
  ‘‘Estamos assistindo a uma geração com baixa resistência à frustração, que começa um curso e depois de seis meses, um ano, já pensa em abandoná-lo porque não era aquilo que esperava’’, prossegue Bastos. Segundo o psicanalista, na maioria dos casos o real motivo da decepção não está na faculdade, mas no próprio aluno. ‘‘Falta maturidade para aproveitar o que os cursos têm para oferecer. Isso porque as pessoas estão acostumadas a receber tudo pronto, tanto dos pais, quanto da escola. Os adolescentes aprendem a esperar apenas pelos resultados, sem passar pelos processos’’, explica.
  A dificuldade pode atingir estudantes de qualquer curso, mesmo daqueles considerados ‘‘top’’, e se estender para o mercado de trabalho. Se o sujeito não se desenvolve em um nível relacional nem pessoal, afirma Bastos, ele nunca vai se adequar à realidade. Para o psicanalista, a solução começa em casa, com o abandono da postura superprotetora dos pais e o espaço para que os jovens ganhem autonomia e responsabilidade. ‘‘A escola e até a própria universidade pode ajudar nesse processo. O aluno não deve receber respostas prontas, mas ser provocado com perguntas. Se ele não aprender a buscar, será eternamente frustrado.’’
  Para quem não passou no vestibular e pretende tentar outra vez, vale a mesma sugestão do especialista para os jovens que ainda não sabem que curso prestar. ‘‘Melhor do que fazer um teste vocacional, é buscar uma orientação vocacional. Conhecer melhor o que os cursos têm a oferecer e refletir sobre seus próprios desejos. Essa história de que alguns cursos dão dinheiro e outros não, por exemplo, é falsa. Tudo depende de habilidades e competências. Um cabeleireiro talentoso pode ser melhor sucedido do que um médico’’, ilustra.

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