Vida simples, vida feliz
Pobreza, doenças, falta de... Falta de tudo. É natural pensar que todos estejam querendo fugir dessa realidade. Mas não, eles não trocam a vida dura da ribeira pela vida ''maluca'' da cidade. Ali eles têm de sobra aquilo que mais falta nos aglomerados urbanos: a tranquilidade. ''A felicidade é a gente viver sem se achar perturbado, a gente tem mais saúde quando não está perturbado'', orgulha-se Antônio Caetano Alves, 51, pai das três crianças que transformam uma lanterna e um mosquiteiro num mundo inteiro. Aquilo que Antônio chama de perturbação, nós batizamos de estresse.
''A vida aqui é boa, mas sofrida. Passamos muitas vezes falta de alguma coisa, mesmo assim eu não queria viver na cidade, pois aqui temos uma vida mais sossegada'', reflete Benedito Dias de Moura, 73, que mora numa casa de pau a pique, que já esta com cobertura de barro se desintegrando. O telhado é de palha e lona, que já está toda furada, deixando caminho livre para a chuva.
O medo da violência ajuda transformar o caos da miséria num paraíso. ''Eu prefiro criar meus filhos aqui, longe da bandidagem. Tenho medo de criá-los na cidade e eles virarem bandidos. Aqui somos felizes. No dia que pegamos o peixe comemos, quando não conseguimos pescar não comemos' , conta a mãe Dalvina Moura de Arruda, 35. (S.R.)





