O potencial turístico e as belezas naturais de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), são praticamente desconhecidas do grande público, embora lá exista, desde 2000, o Circuito da Natureza de Turismo Rural. O município possui 85% do seu território no campo. O roteiro, que inicia pela Rodovia dos Minérios, possui 23 quilômetros de extensão recheados de atrativos históricos, vegetação nativa, clubes, piscina natural, spa, pequenas chácaras, produção de orgânicos e plantas ornamentais e gastronomia caipira.
Mas a principal atração é, sem dúvida, a hospitalidade e simplicidade dos produtores do campo, que abrem as portas de casa para o visitante ''sem cerimônias''. O circuito que pode ser feito durante um dia inteiro, oferece quase 30 paradas. A primeira delas é a Capelinha do Pacotuba, erguida pelos poloneses, em 1929, em dimensões mínimas, já que, na época, a comunidade tinha poucos recursos. Seguindo pela Estrada do Marmeleiro (asfaltada) - trecho da antiga estrada dos tropeiros -, o turista conhece duas propriedades, a Chácara Morro Alto, que produz queijo e geléias, e a Chácara Bela Vista.
Nesta última, são feitos embutidos defumados, bacon, costela, torresmo e ainda vinhos tinto e branco. ''Fazemos 80 quilos de produtos com carne de porco, por semana. O salame, temperado apenas com alho, pimenta e sal, é o mais procurado'', conta Elza Perussi, de 58 anos, que junto com o marido, Hilton da Cruz, de 61, cuidam de toda a produção. Bem humorado e de conversa agradável, Hilton, ensina como se faz o torresminho. ''Pegamos a carne com pele e fritamos por três horas na banha. Cada quatro quilos de carne faz um quilo de torresmo'', disse ele.
Mais adiante, a paisagem natural da região, formada por araucárias, pinheiros, bracatinga e muitos campos de hortaliças, pode ser apreciada do mirante. Já na estrada de barro, surgem amostras da arquitetura européia, herança dos imigrantes italianos e poloneses. Na propriedade dos herdeiros do vereador Osvaldo Avelino Trevisan, existe uma paisagem rural quase cinematográfica: a Casa Rosa, um paiol, animais no pasto, uma araucária centenária e a Igrejinha do Marmeleiro, esta última parece ter sido cravada no meio da paisagem.
Nesse ponto fica a nascente do Rio Passaúna. ''O município incentiva esse tipo de turismo rural, que não causa impacto ambiental, ao mesmo tempo que contribui para o desenvolvimento da região. Estamos retomando o circuito, sinalizando e chamando mais produtores a participarem'', explica o diretor de Turismo de Almirante Tamandaré, Luciano Gulin, dizendo que cerca de 400 pessoas visitam o roteiro, nos finais de semana. A Prefeitura, inclusive, oferece uma jardineira para grupos de 25 a 30 pessoas, sem custo algum.
Delícias ®MDBO¯®MDNM¯- O município pede que o turista apenas consuma um café colonial ou almoce em algum restaurante do circuito. É preciso ligar para agendar o tour com o ônibus, que busca os visitantes em um ponto de Curitiba.®MDBO¯®MDNM¯ A gastronomia caipira, aliás, é a parte mais irresistível do roteiro. No Moinho Nossa Senhora do Carmo, construído em 1950, a parada é quase obrigatória. O turista é recebido pelas simpáticas e doces Ilda, de 81 anos, e Nilza Perussi, 49, mãe e filha, que moem e peneiram o milho ainda em processo artesanal.
A farinha é usada para preparar o bolo de fubá, um dos pratos mais deliciosos do café colonial servido pela família, na própria cozinha de casa, onde um fogão à lenha mantém aquecido o café, o leite e o pão. O bolo fofinho de fubá pode ser consumido apenas com café e leite, caso seja a preferência do freguês, por R$ 3,00. ''Lembro da época que eu ía com meu pai para Curitiba de carroça, para vender verdura e farinha na feira. A gente saía de lá no começo da tarde e só chegava em casa à noite. Os tempos mudaram'', conta Nilza, informando que o moinho foi construído pelo pai, já falecido, Natal Perussi.
Bem próximo de lá, fica a propriedade do primo Tadeu Perussi, onde outra infinidade de delícias é feita pela esposa, Lindamir Tessari. Não tem como sair da chácara do casal sem um produto na mão: queijo fresco, mel, conservas, geléias de figo e uva, doce de pêra e abóbora, suco de uva integral. As geléias e sucos são preparados com os pés de fruta da chácara, como o parreiral centenário de uva terci, cujas mudas foram trazidas pelo bisavô de Tadeu.
Para o almoço, a sugestão é o Restaurante Evíssima, localizado num sítio agradável, que dispõe ainda de pesque-pague, passeios à cavalo e de charrete. O buffet de pratos quentes, com polenta, pernil, galinha caipira e costela, é servido em cima do fogão à lenha. Para atividades de lazer, existem clubes equipados com canchas esportivas e playground. No Recanto Santo Antônio, uma piscina de água mineral fica no meio de um bosque de araucárias. A única restrição é quanto a trajes de banho: é recomendado usar shorts e blusas porque o lugar é vizinho do Seminário dos Capuchinhos.

Serviço
- Agendamentos para jardineira ou informações turísticas: (41) 3657-3034

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