Morar sozinho ou em república, mas longe da casa dos pais. Essa é apenas mais uma etapa do ''passar no vestibular''. Para uns, o grito de liberdade, o sinal de que ''cresceu''. Para outros, o desespero total. Como viver sem a comida da mamãe, sem as roupas passadas com capricho? Ter de limpar a casa, lembrar de pagar as contas, conviver com uma nova cidade, novos hábitos. E na hora de alugar um imóvel, como fazer? Quais linhas de ônibus usar? Morar no centro ou próximo da universidade? São tantas as questões, tantas as dúvidas. Alguns preferem morar um tempo em pensionato, até se habituar e aprender a se virar um pouco. Outros preferem morar sozinhos desde o início.
Elba Rodrigues Romano há 12 anos é dona de um pensionato que faz o estilo ''casa de família''. Lá existem regras como em casa, tem as três refeições, ela lava e passa as roupas e até leva no médico quando ficam doentes. E distribui as broncas quando necessário.
''Quando chegam, apresento todos, explico as regras da casa, levo para fazer o cartão de transporte e até dou dicas de lugares legais para sair. Mas o pensionato tem regimento interno. Visita, só a dos pais. Mesmo assim, tem gente que já morou por cinco anos'', conta ela. Em média, os estudantes ficam de um a três anos.
Alguns optam pela privacidade e ficam sozinhos nos quartos. Quem fica em dupla já começa a exercitar a convivência com alguém diferente da família. Mônica de Oliveira Belem e Estephania Zambelli de Freitas, ambas de 17 anos, vieram do interior de São Paulo para fazer cursinho. Elas já se conheciam e agora dividem o quarto no pensionato de Elba.
''Meus pais escolheram o lugar onde eu iria morar. Não achei ruim ser pensionato pois não preciso cuidar de nada, tenho mais tempo para estudar'', afirma Mônica.
Estephania diz que queria morar sozinha, mas os pais também preferiram o pensionato. ''Vendo agora, é mais prático morar aqui. Não precisa lavar, passar nem se preocupar com a comida'', atesta.
República
Stefani Edwiges da Silva, 21, está em Londrina há quatro anos. Quando chegou para fazer matrícula, pensava em morar em pensionato, mas foi conhecer os apartamentos próximos à UEL e acabou decidindo por morar sozinha. ''Como sabia me virar, sabia cozinhar, lavar roupa, não foi muito difícil. Mas tinha 17 anos, é muita responsabilidade.''
O segredo, para Stefani, é saber ocupar o tempo. ''Dá para morar só, mas sem viver sozinha. Aproveitava todas as atividades que a universidade oferecia para não ficar muito tempo em casa. Já vi gente que abandonou a faculdade porque entrou em depressão''. Ela conta que procurou fazer amizades no prédio, convidava amigos para almoçar no domingo, porque assim se sentia mais próxima da família. Para ela, o mais difícil é perder esse vínculo familiar.
Depois de um ano, Renata dos Santos Colika e Ricardo Adriano de Andrade, que já eram amigos de Stefani, passaram no vestibular e vieram morar com ela. Foi o início de uma nova fase. ''Começou tudo de novo. Estava acostumada a ficar sozinha e tive de me adaptar com outras pessoas em casa, dividir tarefas. Em compensação, as contas ficaram mais baratas.''
Ricardo não leva nenhuma vantagem por ser homem. ''Colocamos regras iguais. Ser menino não dá privilégio algum. Tem de fazer faxina, cozinhar, lavar roupa. Virou meio que um 'Big Brother', pessoas diferentes convivendo juntas. Mesmo já nos conhecendo antes, não é fácil. Mas as discussões são boas para amadurecer. É um eterno aprendizado morar fora.''
Ele confirma as palavras da amiga: ''A experiência de morar fora vale mais do que estudar. Elas são como minha mãe, minha irmã, tomam conta de mim, brigam para deixar o quarto arrumado. Às vezes quero descansar no fim de semana e preciso arrumar a casa. Mas morar com os pais não dá mais, me sinto como visita agora.''
Seja em pensionato, sozinho ou com os amigos, morar longe da família não é muito fácil. Para ajudar os marinheiros de primeira viagem, a FOLHA elaborou um pequeno guia para ajudar os calouros a sobreviver e a curtir as alegrias da independência.

Escolher imóvel requer paciência
  Muitas vezes os pais vêm ajudar nessa tarefa, mas em outras o estudante tem de se virar sozinho mesmo. Assim:
- Cuidado com o estado do imóvel, preste atenção em manchas de bolor, principalmente no teto do banheiro, pode significar que há infiltração;
- Nem todos os prédios aceitam repúblicas. Certifique-se antes de alugar;
- Verifique a localização do imóvel, se fica próximo a pontos de ônibus, se existem pequenos comércios que podem ser úteis, como farmácia e padaria;
- Preste atenção nas condições de segurança do prédio. Se a opção for por casas, o cuidado deve ser redobrado.
  Rosa Okada trabalha com imóveis há 35 anos e dá uma dica importante: o estudante que chega para alugar ‘‘em cima da hora’’ deve vir com a documentação pronta: documentos pessoais, comprovante de residência, comprovante de renda – que pode ser o holerit ou o imposto de renda –, escritura do imóvel do fiador e carta de referência comercial, que pode ser de bancos ou de lojas. (E.G.)


Segurança em casa
Alguns cuidados simples podem evitar acidentes domésticos. Listamos a seguir os mais importantes:
- Lembre-se de sempre desligar o gás, após o uso do fogão;
- Determinados alimentos requerem cuidados especiais quando preparados no forno de microondas. Ovo e batata com casca, por exemplo, devem ser furados com um garfo. Não coloque potes plásticos tampados, há risco de explosão. Da mesma maneira, verifique se pratos e travessas podem ser levados ao forno.
- Cuidado para não esquecer panelas no fogo, como ao ferver o leite. Se derramar, pode apagar a chama do fogão e deixar o gás vazando;
n Panelas quentes devem ser deixadas com o cabo virado para dentro do fogão. Cuidado com panelas com óleo quente;
- Nunca deixe o ferro de passar roupas quente em cima da tábua. Deixe-o esfriando em um local onde não há risco de acidentes;
- Nunca coloque produtos de limpeza em embalagens de alimentos, como garrafas pet.

Organizar é preciso
Morar longe da mãe pode significar várias dificuldades no início. Algumas dicas simples podem ajudar a tornar o dia-a-dia mais fácil e são importantes para evitar, por exemplo, que a sua camiseta favorita seja manchada na hora de lavar. Confira o que diz Elisabete Côrtes, especialista em organização.
- Guarda-roupas: Organizar as roupas primeiramente pelo uso, roupas de festas de um lado e roupas de todo dia do outro. Separar por cor também facilita, separar inverno e verão. Cada coisa em seu lugar, gaveta de pijamas, de roupas íntimas, de camisetas, etc. Se tiver um móvel com prateleiras, etiquetar cada uma delas facilita para a empregada colocar tudo no lugar certo. Caixas também ajudam no trabalho, as mais bonitas, que podem aparecer, são boas para biquinis, echarpes e papéis;
- Alimentos: Separe por validade, os que vencem primeiro na frente. Prateleiras só com embalagens fechadas, com embalagens abertas, com latas. É preciso haver critério de classificação, manter a ordem e limpeza. Na geladeira, recipientes quadrados são mais fáceis de ser organizados. Tenha o cuidado de verificar todos os dias as condições dos produtos, pois o cheiro de um alimento esquecido contamina toda a geladeira.
- Escolha um lugar para guardar juntos todos os produtos de limpeza. Cultive o hábito de limpar cada frasco.
- Lavanderia: À medida que for usando a roupa, classificá-la: para lavar, apenas para passar, levar para lavar fora. Um amontoado de roupas confunde quem organiza. Cuidado ao lavar as roupas (separe por cor, por tipo de tecido, para não manchar e estragar).
- Papéis: Separe as contas à medida que chegam para não serem esquecidas, é bom ter uma pasta ou uma caixa só para elas. Guarde as contas já pagas e as notas fiscais.

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