Vida de assistente
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
O ex-empresário Rudy Keller, de 44 anos, deixou os negócios em Foz do Iguaçu, sua cidade natal, e veio para Curitiba há dois anos decidido a fazer carreira no segmento de gastronomia. Depois de se formar no curso do Centro Europeu, Keller passou a auxiliar o chef Dirceu Félix, professor da instituição. Ele ocupa o cargo há sete meses e garante não ter se arrependido da mudança de vida radical. Eu era patrão, mas hoje tenho mais tranqüilidade para trabalhar. Mesmo ganhando menos, estou mais feliz, diz.
Keller é responsável por assessorar e acompanhar os alunos do curso, montar o ambiente e verificar se a turma está seguindo corretamente as instruções do professor durante as aulas. É preciso ter muita paciência. Como as matérias são bem básicas, os alunos ainda estão aprendendo a afiar uma faca, descascar um legume..., conta Keller.
Segundo ele, um bom assistente na área de gastronomia nunca pode ir de encontro às atitudes do chef. Manter um padrão de trabalho é fundamental. No tipo de atividade que desenvolvo, não posso ir contra as idéias dele, para que os alunos não se sintam inseguros, avalia. A rotina é intensa. Neste semestre, Keller é responsável por acompanhar o chef Félix durante as aulas para cinco turmas, que reúnem um total de 150 alunos.
Mas, quem decide assumir a posição de assistente assegura que vale a pena. Afinal, atuar junto a um profissional mais experiente, cujo trabalho já é conhecido no mercado, pode ser a grande oportunidade para adquirir conhecimento e consolidar a carreira antes de partir para um vôo solo. Segundo Rudy Keller, a convivência com o chef Félix, 20 anos mais velho, é de respeito mútuo. Tenho grande admiração por ele, afirma.
A arquiteta Nicole Pellanda Fuck, de 24 anos, trabalha desde 2003 no escritório de Barbara Sganzerla, responsável por projetos de destaque na capital, como os ambientes da Casa Cor, evento anual do setor, realizado paralelamente em diversas cidades do País. Foi em uma das edições da mostra em Curitiba que Nicole deu início à trajetória como assistente, mantida com sucesso até hoje.
Coordenar o trabalho das estagiárias, visitar obras e fornecedores, participar de feiras e representar o escritório em eventos e reuniões com clientes fazem parte do agitado dia-a-dia de Nicole. A jovem profissional destaca o incentivo como fator principal para quem quer manter um assistente bastante motivado.
A Barbara sempre me orientou e incentivou a opinar sobre os projetos, a criar. Tenho liberdade de expressão. Aqui no escritório cada uma tem seu espaço, afirma Nicole, que ressalta ainda a importância de o assistente estar sempre atento ao modo de agir do profissional com quem trabalha. A convivência faz com que a assistente antecipe a solução de problemas. Nossa interatividade é grande. Às vezes já sei o que ela pensa, o que ela vai dizer sobre determinado assunto, acrescenta.
Esse é o tipo de atitude que o mercado espera dos candidatos a assistente. Conhecer muito bem a rotina de trabalho do chefe, estar apto a tomar decisões e representá-lo sempre que necessário são qualificações imprescindíveis a quem pretende assumir um cargo como esse. Entretanto, é preciso estar atento para não ultrapassar limites.
O assistente deve deixar bem claro a posição que ocupa, para não ser confundido com o chefe. E também deve ser muito discreto, já que, muitas vezes, terá acesso a informações que não devem ser divulgadas, explica a consultora de Recursos Humanos, Camila Mariano, especialista em orientação de profissionais da Catho Online.


