Viajar também é um jeito de aprender
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Da Redação 
Quinhentos e cinquenta alunos com mais de 14 anos conheceram a cidade da Lapa este ano, como parte do Programa de Turismo Educativo, lançado em maio passado. Dirigido aos alunos dos Centros de Estudos Supletivos Escolas do Campo/Casas Familiares Rurais e Supletivo Seriado eles estão aprendendo ecologia, arte, história, geografia, política, economia, agricultura e pecuária, e conhecendo melhor o Paraná.
O modelo começou na Lapa, mas Foz do Iguaçu já faz parte do roteiro, e jovens e adultos são atraídos pelas belezas naturais da cidade. A meta da Secretaria da Educação é incluir no programa cidades que reúnam interesse turístico com possibilidades de aprendizado cultural.
Segundo a coordenadora do programa na Lapa, Wilma Luzia Wille, a agenda está lotada até 2000, com pedidos de escolas de todas as regiões do Estado.
As escolas que atendem jovens e adultos possuem muitos trabalhadores em suas salas de aula, e o programa é uma oportunidade para esses alunos conhecerem os regionalismos do Estado, suas características sócio-culturais e assim entender um pouco mais de si mesmos.
Os estudantes não pagam para participar do Turismo Educativo: o transporte é oferecido pela prefeitura ou por empresas privadas da região da escola, e as escolas estaduais e as de campo fornecem o alojamento e as refeições.
Na Lapa, os alunos conhecem o Centro Histórico e Cultural, formado por mais de 200 prédios do Século XIX e da primeira metade deste século. Eles também fazem turismo rural pela região. Visitam o Parque Estadual do Monge, área preservada em que inúmeros devotos tradicionalmente fazem pedidos e pagam promessas ao beato João Maria. O local possui área de lazer com churrasqueiras, bosque e cancha esportiva.
Arquivo FolhaConteúdoA velha Lapa é vista pelos casarões seculares que guardam a história de uma cidade heróica
Antes de levarem seus alunos à Lapa, os professores trabalham conteúdos como a Guerra do Contestado, a Revolta Federalista, o tropeirismo, a diferença técnica entre pequenas e grandes propriedades rurais, e cooperativismo. Nos dois dias que passam visitando a cidade, os alunos recebem informações sobre educação ambiental, a história da Gruta do Monge e sua relação com o tropeirismo, a Guerra do Contestado e o famoso Cerco da Lapa.
Os alunos também estudam in loco o solo, o relevo e a vegetação, e a importância da Lapa no contexto histórico-cultural do país, além de conhecerem a arquitetura, agricultura, pecuária e horticultura.
Alunos de Barracão, Mandirituba, Foz do Iguaçu, Jataizinho, Curitiba, Barbosa Ferraz, Mariluz e Goioerê já estiveram na Lapa. A última viagem do ano será no fim de semana de 6 e 7 de dezembro, quando estudantes de Apucarana e Cornélio Procópio estarão visitando a cidade.
A cidade Lapa se originou de um pequeno povoado fundado às margens da antiga Estrada da Mata, que era apenas um trecho do histórico Caminho de Sorocaba, por onde circulavam tropas de animais vindas do Rio Grande do Sul com destino à famosa feira de Sorocaba.
Muita históriaDe 1731 em diante estabeleceu-se o pouso de Capão Alto, primeira denominação da cidade. A primeira família a se fixar no lugar foi a de João Pereira Braga e sua mulher Josefa Gonçalves da Silva. Em meados do Século 18, os pioneiros construíram uma capela e a dedicaram à Nossa Senhora do Capão Alto, com orientação de padres carmelitas.
Capão Alto foi elevada a freguesia em 1797 e à Vila em 1806, com o nome de Vila Nova do Príncipe. O município foi desmembrado em 1872. Durante a Guerra dos Farrapos, Vila Nova se transformou em base das forças legalistas, especialmente quando Garibaldi invadiu Santa Catarina, em 1843.
Na Revolução Federalista de 1894, a Lapa desempenhou papel importante, quando bravos moradores, comandados por Gomes Carneiro, resistiram até à morte contra o avanço de tropas riograndenses.


