Por mais enxuta que seja a mala, um item - que não ocupa espaço nem aumenta o peso - não pode ser esquecido por quem vai cair na estrada: o cartão de vacinação em dia. A criação da Sociedade Latino-Americana de Medicina de Viajantes (Slamvi), em dezembro, e a recente notícia de que o médico Drauzio Varella contraiu febre amarela numa viagem à Amazônia põem na berlinda um cuidado que muito adulto tem apenas com as crianças. Estar com as vacinas atualizadas e se informar sobre os riscos de doenças deveria ser a primeira providência a ser tomada ao se montar o roteiro.
Segundo o representante da Slamvi no Brasil, Jessé Reis Alves, médico do Núcleo de Medicina de Viajantes do Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, é importante procurar um especialista cerca de 30 dias antes do embarque.
Para terem eficácia, algumas vacinas precisam ser tomadas com antecedência. A da hepatite A, por exemplo, deve ser aplicada 20 dias antes da chegada ao destino e a da febre amarela, dez dias. Alves explica que, por se tratar de uma especialidade nova, a medicina do viajante é praticada em poucos estados. Atualmente, há serviços públicos apenas no Rio, em São Paulo e em Pernambuco.
Há alguns serviços particulares em outros estados. Mas para as pessoas que não sabem onde encontrar um especialista, o mais indicado é procurar um clínico geral ou um infectologista - orienta Alves, informando que orientações resumidas podem ser obtidas pelo e-mail [email protected].
Ao procurar o médico, o viajante deve apresentar a data e um roteiro da viagem, além de um histórico de saúde e de vacinação. É muito comum que adultos não tenham mais seus cartões de vacina. ''Tentamos recuperar algumas informações, mas, na dúvida, o melhor a fazer é tomar os imunizantes'', explica Alves.
Tanto cuidado não é à toa. Segundo Alves, o exemplo da malária é o mais claro. Como atualmente não existe vacina para essa doença tropical, em alguns casos (alguns, ele frisa), pode ser prescrito um medicamento profilático. ''O problema é que, se for usado indiscriminadamente, esse medicamento aumenta a resistência do parasita da malária nas áreas endêmicas'', diz Jessé, esclarecendo que no Brasil o diagnóstico costuma ser eficaz.

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