VIAGENS SEM FIM - Aventuras sobre duas rodas
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de junho de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
São mais de 5 mil registros fotográficos, que não deixam dúvida quanto ao maior prazer do agrônomo Júlio Cezar de Lima: conhecer o mundo viajando sobre duas rodas.
Essa paixão data dos tempos da infância. ''Meu envolvimento com motos começou muito cedo, aos 7 anos, com meu pai, que tinha grandes motos clássicas, como Ducati e BMW''.
Nascia ali o desejo de percorrer longas distâncias sobre duas rodas. ''Com 20 anos, mesmo com um modelo de 125 cilindradas e sem disponibilidade de recursos, já fazia viagens de 300 a 500 quilômetros'', relembra.
O sonho de garoto adquiriu contornos reais, de fato, na fase adulta. ''Em 2002 fiz minha primeira longa viagem ao exterior. Foram quase 9 mil quilômetros percorridos, passando pelo Chile, Uruguai e Argentina''.
Na viagem, Júlio, que optou por uma Marauder 800 cc, saiu de Londrina rumo a Passo Fundo e Uruguaiana (RS) até chegar à Argentina, em Paso de Los Libres. ''Santa Fé, Córdoba e Mendoza foram as cidades seguintes. Entramos no Chile, cruzando a Cordilheira dos Andes e depois fomos para ViÀa Del Mar, Santiago, entre outras cidades. De volta à Argentina e, por fim, no Uruguai, cidades como Bariloche, Neuquen, Buenos Aires, Montevidéu e Punta Del Este não ficaram de fora'', cita, repassando o trajeto com duração de 18 dias.
Dois anos depois, em dezembro de 2004, Júlio estava pronto para uma viagem que considera ''mais longa e desafiadora''. Apesar de passar pelos mesmos países, o agrônomo escolheu paisagens diferentes, durante os 27 dias. Entre elas, menção para Ushuaia, a Terra do Fogo, na Argentina.
Conhecida também como o ''Fim do Mundo'', Ushuaia, que fica na fronteira da Argentina com o Chile, está cercada pelos Andes, e exibe paisagem impecável. Com picos de neves e ilhas habitadas por gaivotas, pinguins e leões-marinhos, abriga os últimos bosques antárticos do planeta.
''Foram mais de 14 mil quilômetros. Tive a companhia de um amigo motociclista do interior de São Paulo, que, no 11º dia de viagem, desistiu devido ao cansaço''. Sem titubear, Júlio seguiu estrada afora, nos demais 16 dias.
''Além da longa quilometragem, essa viagem foi bem mais desafiadora devido aos 880 quilômetros de rípio (um tipo de brita comum na Argentina), ao frio e aos fortíssimos ventos do Deserto da Patagônia'', rememora o agrônomo, que mais uma vez passou o Ano Novo longe de casa e da família.
Casado e pai de dois filhos, Júlio conta com a boa vontade do clã para se ausentar em datas tão especiais. ''Como só posso me ausentar nos fins de semana e nas férias, tudo é muito bem negociado e agendado'', acrescenta.
Segundo o agrônomo, que já teve mais de 20 motos até chegar ao modelo atual - uma Suzuki DL 1000 cc V Strom, ideal para longas distâncias e asfaltos ruins -, o planejamento é fundamental antes de desbravar novas rotas. ''Costumo me programar com um ano de antecedência, saindo daqui já sabendo o que vou visitar e quanto vou gastar''.
Perguntado sobre a média de gastos, o agrônomo revela que, graças a esse planejamento, a aventura fica somente para o caminho sobre duas rodas. ''Varia muito, mas, na América do Sul, o valor gira em torno de US$ 120 ao dia, dormindo em hotéis simples, sem luxo, mas com boa cama e banheiro''.
Em relação à alimentação, um lanche leve, na hora do almoço, e um jantar reforçado, quando chega ao hotel, fecham o cardápio. ''Deixo a refeição melhor para o jantar, após chegar à cidade em que vou dormir. Durante a viagem, consumo bastante líquido para hidratar o corpo e evitar surpresas desagradáveis''.
Na ''hora do aperto'' - afinal, são de 500 a 1000 quilômetros percorridos ao dia, sobre a moto -, Júlio opta pelos postos sediados nas estradas, cujos banheiros, segundo ele, ''muitas vezes deixam a desejar''.
Entre as peculiaridades vivenciadas, Júlio reserva espaço para atender a demanda de atenções. ''Às vezes perco um tempão conversando com as pessoas em postos de gasolina e hotéis. Todos querem saber de onde venho, para onde vou, todos os detalhes. Chego a ser parado diversas vezes pela polícia local, apenas porque querem saber sobre a viagem e admirar a moto''.
Serviço
Para mais histórias, informações e dicas de viagem com moto, acessar o site de Júlio Cezar de Lima:
www.viagemmotochile.hpg.com.br


