VIAGEM SEGURA - Sozinhos sim, mas com cuidado
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sábado, 08 de agosto de 2009
Adriana De Cunto<br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - A morte de uma adolescente de 15 anos em pleno vôo internacional dos EUA para o Brasil chocou os brasileiros. A suspeita - não confirmada até o fechamento desta edição - é que Jacqueline Ruas não teria resistido às complicações provocados pelo vírus H1N1, causador da gripe suína. Os pais ficaram sabendo da tragédia quando foram ao aeroporto de Guarulhos (SP) justamente buscar a filha que retornava da excursão à Disney.
Médicos e agentes de turismo procuram tranquilizar as famílias que planejam enviar as crianças e adolecentes para viagens desacompanhados dos pais. Os especialistas lembram que roteiro e custos não são as únicas coisas que precisam ser planejadas. É preciso verificar a saúde dos jovens antes do embarque - e bem antes do dia da partida.
''Recomenda-se que os filhos sejam avaliados por um médico para um check-up pré-viagem e não apenas o preenchimento de formulários de saúde sem uma consulta médica para verificar histórico pessoal, prévio e familiar'', alerta o médico Jaime Rocha, infectologista e especialista em Medicina do Viajante do Frischmann Aisengart/DASA.
Conforme o estado de saúde do futuro excursionista, o destino da viagem e o tempo de permanência, o procedimento vai além de uma simples consulta e o médico pode pedir exames. Além disso, os cuidados devem se extender para uma avaliação odontológica, ginecológica (no caso de mulheres), orientações dietéticas e psicológicas para os viajantes de longa permanência, elaboração de um kit com medicamentos básicos e, muito importante, uma minuciosa revisão do calendário vacinal.
Na opinião de Jaime Rocha, viajar com um seguro de saúde internacional é fundamental. ''Não se recomenda viajar sem (o seguro) devido aos altos custos e difícil acesso se o viajante não estiver amparado.''
Esse foi um dos cuidados tomados por José Gugelmin, de Curitiba, antes de embarcar os três filhos em excursões para a Disney - a caçula, Letícia, de 15 anos, viajou em julho deste ano.
Conhecer e confiar na agência de turismo contratada para a excursão é muito importante, afirma Gugelmin. ''A gente tem que conhecer a estrutura da operadora lá fora para atender os clientes'', resume. Ele também recomenda participar das reuniões prévias com os guias.
Durante a viagem
Josanne Savas, conselheira da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav-PR) e dona de uma operadora que organiza excursões para a Disney reforça a orientação do médico em que todos os viajantes devem fazer um check-up antes de sair de casa para ter certeza de suas boas condições físicas.
''A viagem gera um estresse por causa da espera em aeroporto, permanência em avião, dias longe de casa. Por isso a importância de estar bem de saúde, de se alimentar corretamente, de se hidratar durante os passeios'', recomenda Josanne, há 20 anos guia de turismo nos parques de Orlando.
A fama dos maus hábitos alimentares dos norte-americanos não é mais justificativa para os amentes de fast-food. ''Antigamente não se achava uma fruta nos parques. Era só hambúrguer, pizza e cachorro quente. Mas hoje há frutas, saladas e grelhados'', explica. Outra dica para quem vai viajar em excursão para parques temáticos é levar um pequeno cantil com água e abastecer sempre que possível nos bebedouros.
O médico Jaime Rocha acrescenta que durante a viagem, os hábitos são os mesmos que se toma habitualmente em casa associados com cuidados específicos conforme o destino. ''Por exemplo, viagens para lugares com dengue, exigem cuidados com picadas de mosquito, enquanto viagens para lugares com condições sanitárias desfavoráveis exigem atenção com água e alimentos'', explica. Na eventualidade de intercorrências médicas, o infectologista aconselha buscar auxílio imediato.
Primeira vez
A empresária Alexandra Mouro vai permitir que o filho, de 11 anos, faça uma viagem com a escola para um hotel-fazenda de Gaspar (SC) neste semestre. ''Estou um pouco nervosa porque ele nunca viajou sozinho. Mas também não posso segurar. Todos os colegas vão...''
A primeira providência de Alexandra foi telefonar para os outros pais, conversar com quem conhece o hotel e os guias. ''Já estou mais tranquila. Agora a orientação é com ele (menino). Como por exemplo ficar perto de um instrutor na hora de nadar no lago.''
A próxima etapa - da preocupação de Alexandra - é conhecer quem serão os companheiros de quarto do filho e pegar o telefone celular dos pais dos garotos. Saber que poderá acessar a internet para acompanhar as atividades das crianças durante o final de semana de diversão também conforta Alexandra. Coisas de mãe.


