Um levantamento recente do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) demonstrou que quase 10% dos viadutos e pontes federais existentes em Curitiba e Região Metropolitana estão em estado regular ou ruim. Alguns passam por melhorias estruturais. Outros não são nem fiscalizados, por falta de recursos. Nos municípios, a situação também é alarmante. Na capital, os mais famosos viadutos jamais sofreram qualquer tipo de intervenção municipal desde que foram criados -há mais de 30 anos. É o caso, por exemplo, do Viaduto do Colorado, ao lado do Estádio Durival de Brito, conhecido como Vila Capanema.
O engenheiro Gilberto Piva, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), disse que nenhum dos governos (federal, estaduais ou municipais) se preocupa em cumprir a lei que obriga todas as obras de arte a ter fiscalizações periódicas. ''Isso nunca acontece. O preventivo fica sempre em segundo plano. E não deveria. A fiscalização em pontes e viadutos é como a carteirinha de vacinação do bebê, como o manual do proprietário que compra um carro novo. Tem que haver um programa de manutenção e fiscalização para evitar que a situação de desgaste se agrave'', recomendou o engenheiro.
A falta de manutenção, segundo Piva, leva ao desgaste das obras de arte. ''Sempre que se usa um bem, você fadiga este bem. A obra vai cansando e tem deterioração natural. Precisa haver uma intervenção para que não entre em ruína. Hoje não há avaliação das estruturas. A última intervenção no Viaduto do Colorado foi na sua criação, na década de 1970'', relatou. Quem trafega pelo viaduto do Colorado não percebe, mas sente um solavanco no carro que é fruto -segundo o engenheiro- de problema de junta. ''Nessas juntas a água penetra, segue para o concreto e causa a corrosão do aço, danificando a estrutura'', ponderou.
No Viaduto do Capanema, por exemplo, que fica na Rua Ubaldino do Amaral e leva o fluxo do Alto da Glória até o Centenário, houve uma intevenção recente que custou caro aos cofres públicos. ''Demorou muito para uma intervenção e o custo acaba sendo muito alto. Mais de um milhão de reais cada vez. A intervenção cara é geralmente fruto da falta de revisão'', explicou. Outro fator que leva a fadiga dos viadutos e pontes é a demanda de cargas, cada vez maior. ''O esforço repetitivo. Hoje, cada vez mais as cargas são mais pesadas e o volume de tráfego é bem maior do que na época em que as obras de arte foram criadas'', disse ele.

mockup