Via Internet
A possibilidade de enfrentar inimigos de carne e osso, através da jogatina em rede, é uma mania que atrai cada vez mais fanáticos partidários
Tiros, rajadas de metralhadora e sopapos em geral estão sendo trocados por combatentes sanguinários. A piedade não tem vez e quem não se garantir corre o risco de ir para o além. Mas calma! Não é necessário chamar a polícia ou pedir a intervenção do exército. Tratam-se de batalhas virtuais, que estão acontecendo no primeiro campeonato de games via Internet promovido em Curitiba. O game é o Quake, um quebra-pau eletrônico que pode ser jogado por até 16 pessoas, simultâneamente, através da rede mundial de computadores. A competição é o I Campeonato de Quake MPS Internet.
À distância, confortavelmente instalados em casa e conectados pelos modens (os acessórios que permitem a troca de dados através de uma linha telefônica), os competidores iniciaram os combates no último final de semana. Em chaves de quatro participantes, se eles embrenham nos labirintos que compõem o cenário do Quake. Daí para frente, vale a lei do mais forte: ao encontrar o adversário, ou os adversários, a ordem é usar as armas disponíveis e tentar matar os oponentes quantas vezes for possível.
No caso de levar a carga de ferimentos que os façam morrer, os personagens retornam prontos para outra. Não existe limite de vidas: enquanto a meia-hora prevista pelos organizadores para cada partida não terminar, a matança continua. Quem for mais rápido no gatilho e acumular mais vitórias leva vantagem. Cinquenta combatentes eletrônicos estão participando da competição.
Fotos de Kraw Penas
O empresário José Luiz Kotch é um dos participantes do campeonato via Internet do jogo Quake: descarrego as tensões dando tiros no game
Primeira provedora da Internet de Curitiba a ter um servidor exclusivamente disponível para jogos, a MPS organizou o campeonato com o objetivo de divulgar mais os games que podem ser jogados por meio da rede mundial de computadores. Jogar pela Internet é uma tendência que está crescendo muito. Nos Estados Unidos, é uma mania, diz Leonardo Wons, um dos gerentes da MPS. Escolhemos o Quake para iniciar este serviço por que ele é um jogo de sucesso e faz parte de uma geração de games que já foi projetada para ser jogada na Internet.
O entusiasmo dos adeptos desta onda é grande. Estar em rede com várias pessoas é muito melhor do que jogar sozinho, contra a máquina: as ações dos inimigos se tornam imprevisíveis e isso aumenta a dificuldade e emoção, diz o estudante Athys Pallú, 21 anos, um dos participantes do campeonato da MPS. E também é possível conhecer novos amigos, pois durante o jogo dá para mandar mensagens que aparecem escritas na tela. Estas mensagens, entretanto, geralmente são usadas para fins menos nobres. Quando você mata o inimigo, é meio de praxe mandar alguma provocação... Mas tudo na brincadeira.
A diversão computadorizada atrai adeptos de todas as idades. O empresário José Luiz Kotch, 40 anos, mostrou que boa pontaria nos games não é exclusividade dos mais novos e passou pela primeira fase do campeonato. Ele treina com frequência. Não passo uma noite sem jogar - apesar de enfrentar algumas reclamações da minha mulher, justifica Kotch, pai de três filhas. Encaro os games como uma forma de extravazar as tensões. Tudo que acumulo no dia-a-dia, descarrego em forma de tiros e porradas nos personagens comandados pelos adversários, conclui.
O campeonato só deve terminar no próximo sábado, mas já existe um favorito. É o estudante Carlos Renê dos Santos Bascunan, de 22 anos, que liderou a primeira eliminatória. Fanático por computadores desde os oito anos, ele pratica em média duas horas por dia. Jogar Quake na Internet é uma grande viagem que mistura um jogo com uma forma de comunicação, resume Bascunan, que já chegou a se defrontar com adversários norte-americanos. Os gringos jogam bem, mas não tem a malícia dos brasileiros.





