Albari RosaO professor e arquiteto Luis Salvador Gnoato está fazendo tese de mestrado na USP sobre a arquitetura moderna em CuritibaO olhar de alguns dos primeiros arquitetos modernistas da cidade recrimina muito dos excessos vanguardísticos facilmente encontrados nos novos lançamentos imobiliários. ‘‘Dentro dessa fúria de construção que se deu nas últimas décadas, surgiram alguns projetos que abusam nas cores e nas formas com o objetivo de ser diferente’’, comenta Elgson Ribeiro Gomes. ‘‘Isto é até natural no mercado, mas foram construídas muitas coisas de gosto discutível e outras mais que condenáveis’’.
Ribeiro Gomes não tem dúvida ao considerar a arquitetura uma arte. ‘‘Um prédio é como uma escultura. Só que se ficar ruim, você não pode jogar fora ou guardar no porão. Ele vai ficar lá uns 100 anos. Isso exige uma responsabilidade que muitos arquitetos não consideram’’, prossegue. ‘‘Com a tendência de prédios altos, de 20 a 30 andares, este problema se agrava mais ainda. Uma obra desse tamanho, se mal pensada, pode virar uma aberração’’.
O Teatro Guaíra foi projetado em 1948 por Rubens Meister e ainda hoje é considerado inovador
O arquiteto Luis Salvador Gnoato considera que atualmente vive-se um momento de ‘‘excesso de arquitetura’’. ‘‘Os edifícios têm elementos demais, que acabam causando uma perda de unidade e estragando o projeto’’, critica Gnoato. ‘‘A sensação que a gente tem é de que muitos destes edifícios de hoje seguem modismos passageiros que vão perder rapidamente seu significado. A cauda disso é uma grande ansiedade pela renovação constante’’. Esse questionamento, acredita Gnoato, ressalta o interesse pelos primeiros mestres do modernismo. ‘‘Eles dedicavam uma atenção muito grande ao estudo profundo de todos os elementos e da funcionalidade dos projetos’’.

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