André Amorim
Equipe da Folha
Dentre os jovens brasileiros, existe uma espécie em particular que produz grandes doses de adrenalina nessa época do ano. Sugerimos muito cuidado no trato com esses indivíduos, pois é sabido que vivem sob grande estresse durante esses meses, devido a uma maratona acirrada que realizam em busca do seu futuro. Trata-se dos vestibulandos, rapazes e garotas que, em sua maioria, se prepararam durante todo ano para colocar seus conhecimentos à prova durante algumas poucas semanas. No ano que vem, eles poderão estar sentados nos bancos de uma universidade ou de volta às aulas dos cursinhos, depende do desempemho que terão agora.
  Curitiba é um prato cheio para esses espécimes singulares. A cidade possui duas instituições de ensino superior estaduais: Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) e Faculdade de Artes do Paraná (Fap); duas federais: Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); além de outras 30 instituições particulares.
  Entre essas últimas, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) é a que oferece o maior número de vagas. São 6.480 no campus de Curitiba e 900 em São José dos Pinhais, na região metropolitana. Somando outros campi em Londrina, Maringá e Toledo, o número total de vagas é de 8.840, divididas em 62 cursos.
  A segunda colocada em número de vagas é a UFPR, que disponibiliza 4.084 vagas em Curitiba e outras 60 em Palotina, divididas em 47 cursos. O Centro Universitário Positivo (Unicenp) é a terceira instituição, com 4.070 vagas divididas em 26 cursos. Na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) são ofertadas 3.932 vagas em 49 cursos divididos em 5 campi. E na UTFPR, antigo Cefet, são 466 vagas em 15 cursos.
  Apesar de parecerem abundantes, essas vagas são disputadas ferrenhamente pelos vestibulandos. Para se ter idéia, a UFPR recebeu esse ano 42.079 inscrições, o que resulta numa média de mais de dez candidatos por vaga. Outros 9.058 se inscreveram para o concurso da UTFPR em Curitiba, quase 20 por vaga.
  No entanto, a soma desses números não indica o número total de candidatos em Curitiba, pois cada vestibulando costuma disputar uma vaga
em mais de uma instituição e pessoas de outros estados
vêm à capital paranaense para tentar a sorte.
  Esse é o caso de Natália Colombo, de 18 anos, natural do litoral paulista, que tenta o vestibular pela primeira vez. Aspirante a uma vaga no curso de medicina - um dos mais concorridos em qualquer universidade -, ela não poupa esforços para aumentar suas chances de ser aprovada. Desde outubro, ela realiza uma verdadeira maratona, fez provas na PUCPR, PUCSP, Faculdade Evangélica, UFPR e agora viajará a Florianópolis para tentar a Universidade Federal de Santa Catarina.
  Para prestar tantos concursos, ela chegou a perder várias aulas do curso preparatório. Mas não considera isso uma desvantagem grave. A cada nova prova, ela sai mais tranqüila. ‘‘Eu fico mais treinada, e acabo recordando tudo de novo’’, avalia.
  Bruno Seije, de 18 anos, também tentará medicina em várias instituições. ‘‘É válido porque aumentam as chances de passar’’, argumenta. Para que as provas não caiam no mesmo dia, ele escolheu a dedo os locais onde vai prestar os concursos. Sua maratona começou dia 2 de novembro e só acaba no dia 13 de janeiro, mas ele não se incomoda com o ritmo puxado. ‘‘A cada prova eu melhoro meu desempenho’’, afirma.

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