Simone GirotoMaciel: o dicionário errou no gentílico de Campo MourãoO vereador José Eugênio Maciel (PSDB) nasceu em Campo Mourão, mas não é mourãoense. Ele e todos as demais pessoas que nasceram na cidade são, desde 1990, campo-mourenses. Pouca gente, no entanto, sabe disso. A confusão toda tem origem numa edição do Dicionário Aurélio, que foi consultada pelos vereadores de Campo Mourão durante a elaboração da atual Lei Orgânica, em 1989. Maciel, que quer voltar a ser mourãoense, aguarda a votação de uma emenda à lei orgânica que ele apresentou ainda no começo do ano.
‘‘Além da tradição do município, estou convencido de que o gentílico do dicionário está errado’’, justifica o vereador. Na verdade, quem nasce ou vive em Campo Mourão foi mourãoense até abril de 1990. Ocorre que os vereadores da época entenderam que se o termo ‘‘campo-mourense’’ estava no dicionário, era esse termo que deveria ser oficial. E assim foi feito na promulgação da Lei Orgânica.
Desde então, todos os documentos oficiais da Câmara de Vereadores adotam o campo-mourense. O prefeito e o vice-prefeito eleitos também são obrigados a usar o campo-mourense durante o juramento de posse, uma vez que o texto é extraído do artigo 49 da Lei Orgânica. Foi o que tiveram que fazer este ano, por exemplo, o prefeito Tauillo Tezelli e o vice Márcio Nunes - um pouco constrangidos. Com a emenda, todos os campo-mourenses da lei voltam a ser mourãoenses.
IndefensávelPor se tratar de uma emenda a uma lei que é uma espécie de constituição municipal, o processo é demorado. A proposta, que foi apresentada em março, só deve ser votada este mês. Para ser aprovada, ela vai precisar do voto de 10 dos 15 vereadores. Outro detalhe: a votação será nominal e aberta. Até agora, porém, não apareceu ninguém para defender o campo-mourense, o que tira qualquer possibilidade de polêmica na votação.
O promotor Rubens Luiz Sartori, que mora na cidade há mais de 40 anos, chegou a alertar os vereadores durante a elaboração da lei orgânica, mas foi ignorado. Desde essa época, ele se tornou um ferrenho opositor do campo-mourense. ‘‘O mais importante é o costume da população’’, alega. Para exemplificar, ele cita os casos de três empresas tradicionais da cidade: Viação Mourãoense, Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) e Clube Mourãoense. (S.S.)

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