O urbanista Jorge Vieira Macedo, que projetou Maringá no escritório da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, em São Paulo, não chegou a conhecer a cidade. Mas, se ainda estivesse vivo e resolvesse visitar Maringá, ficaria feliz em ver um projeto com mais de 50 anos e ainda atual. Reservas de matas nativas, praças amplas e avenidas largas interrompidas a cada trecho por pequenas praças arborizadas saíram da prancheta de Macedo e, ainda hoje, chamam a atenção de quem chega à cidade.
A companhia encomendou ao urbanista um traçado diferente das cidades que surgiram durante o processo de colonização da região. Com um mapa da área onde seria instalada a cidade, Macedo reservou dois ‘‘pulmões’’ –o Parque do Ingá e o Bosque 2–, reservas de mata nativa que protegem duas nascentes e, juntas, somam mais de 100 hectares. Os dois parques têm mesmo o formato de pulmões e, a partir deles, o urbanista passou a trabalhar ruas e avenidas.
O respeito pelo verde foi o principal traço na urbanização de Maringá. As avenidas e ruas ganhavam uma muda de árvore a cada 20 ou 30 metros, antes mesmo de terem o traçado e o nome definidos. A demanda por mudas levou a companhia a reservar outra área de mata nativa, o Horto Florestal, que ainda hoje pertence à empresa. Dos viveiros do horto saíram mais de 80% das mudas plantadas nas vias públicas. Hoje são mais de 100 mil árvores em ruas, avenidas e parques públicos.
O verde ajuda, mas o que se tornou decisivo para manter a urbanização da Maringá do final do século foram as ruas e avenidas largas e planejadas de forma a atender o crescimento. A idéia inicial da colonizadora, lembra o pioneiro Annibal Bianchini da Rocha, diretor da companhia, era de uma cidade para 100 mil habitantes. Maringá já tem quase 300 mil, além dos pelo menos 50 mil moradores da região que estão todos os dias na cidade.
A frota de veículos –quase 120 mil– está entre as maiores do Paraná. Mas os problemas de trânsito ficam restritos às vias de acesso ao centro. ‘‘A maior parte dos motoristas passa pelo centro para cruzar a cidade, o que causa problemas de lentidão em algumas vias’’, explica o secretário de Transportes, Sidnei Telles. O verde e as praças ao longo do caminho acabam reduzindo o nervosismo dos motoristas.

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