No mundo cada vez mais poluído pela queima de combustíveis fósseis e amedrontado com os perigos da energia nuclear, muito se diz sobre o caráter limpo da energia proveniente das hidrelétricas. No Brasil, são mais de 100 grandes usinas, 23 apenas no Paraná - contando com Itaipu, a segunda maior do mundo -, responsáveis pelo abastecimento de 75% do território brasileiro. Porém, apesar de suas vantagens na comparação com o petróleo, as usinas também tem seus problemas.
Por necessitarem de grande quantidade de água e relevo desnivelado para funcionar, as usinas foram erguidas nos principais rios do País. Em sua estrutura física, é preciso que uma grande área seja alagada e represada para a construção da barragem. Essa área, geralmente ocupada por floresta, é desmatada e, posteriormente, inundada.
No processo de alagamento, muita matéria orgânica é encoberta pela água. Além de raízes e restos de galhos, folhas e troncos das árvores, a parte "viva" da terra - cerca de 40% do solo é constituído por matéria orgânica - passa a se decompor. Naturalmente, esse processo produz metano, gás 20 vezes mais prejudicial ao efeito estufa que o dióxido de carbono.
O fato de o rio estar "parado" na região da usina faz com que a situação se agrave ainda mais "porque um rio, ao longo do curso, vai se autolimpando, além de se oxigenar", explica o biólogo Daniel Caratti. No caso dos lagos das usinas, considera o biólogo, eles se tornam "desertos aquáticos", podendo até mesmo comprometer a captação da água dos rios onde foram instaladas, devido à contaminação por bactérias anaeróbias. É a preocupação do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Londrina (Consemma) com a construção da Usina de Mauá, no rio Tibagi.

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