Curitiba - A temporada de verão que movimenta o litoral também é o período ideal das grandes viagens rodoviárias para quem curte a vida sobre duas rodas. Percorrendo as estradas, nem sempre bem conservadas, do território brasileiro, é fácil encontrar animados grupos de motociclistas, dos mais diversos estilos, em busca de aventuras.
É justamente o conceito de liberdade associado às motocicletas que estes grupos de viajantes buscam nas férias. Procura que independe de idade, do tipo de moto e mesmo do estilo da viagem, que pode ir da aventura das trilhas fora-de-estrada e noites em barraca ao conforto das rodovias asfaltadas e quartos de hotel. É nesta última categoria que se encaixa um grupo de motociclistas de Curitiba e Guarapuava, que completam neste verão uma década de viagens pela América do Sul. O destino escolhido desta vez foi o salar de Uyuni, no sudoeste da Bolívia, onde os oito casais do grupo chegaram no dia 30 de dezembro, a tempo de comemorar a chegada do Ano Novo na região.
Não foi à toa que o grupo marcou a saída da Capital para a madrugada do dia 26 de dezembro, pegando a estrada logo após a celebração do Natal. ''Como tínhamos que percorrer 2,5 mil quilômetros até chegar ao Uyuni, optamos por percorrer a maior quilometragem já no primeiro dia, dirigindo por 866 quilômetros até San Ignacio, na Província de Missiones, na Argentina'', conta Carlos Eduardo Vieira de Souza - dentista, assim como a esposa Simone Felippetto - destacando que o local foi escolhido para pernoite devido às atrações turísticas locais, com espetáculos que relembram a época das missões jesuísticas, presentes também no Uruguai e no oeste da Região Sul do Brasil. O roteiro incluiu também passagens pelo Chaco Argentino, pela Cordilheira de Purmamarca e por São Pedro de Atacama, às portas do maior deserto chileno.
A parte mais difícil deste percurso foi a travessia do Passo de Jarra, já nos Andes, onde a estrada chega até os 4.870 metros de altitude - com concentração de oxigênio igual a 60% da disponível no nível do mar.
Para evitar imprevistos, o grupo planeja com grande antecedência cada uma das longas viagens. ''Durante o ano costumamos fazer viagens mais curtas, de 400 ou 500 quilômetros, nos finais de semana. E sempre fazemos uma mais longa, no fim do ano, que é planejada seis meses antes. Só saímos de casa com todo o roteiro pronto, reservas em hotéis e com as motos revisadas'', complementa o médico Marco Antônio di Napoli, que viaja com a esposa Graciela Menegale.
A reunião com outros casais de motociclistas foi a forma encontrada pelo ortopedista para manter vivo o espírito de aventura que costumava exercitar em seus tempos de chefe escoteiro. Foi um ano depois de sair do escotismo que Napoli decidiu relembrar os tempos da juventude, quando as motocicletas faziam parte de seu cotidiano. Com a vida profissional resolvida e o filho caçula já em idade escolar, a volta às estradas sobre duas rodas veio de forma bastante natural para o médico. Que logo reuniu alguns amigos - e o filho Rodrigo - em torno da paixão motociclística comum.
Em dez anos de fraternidade, o grupo cresceu e as motocicletas também foram substituídas por modelos maiores e mais apropriados para longas viagens. Ao contrário de alguns clubes de motociclistas formados por adeptos de uma única marca e modelo, o grupo se caracteriza pela variedade, inclusive na vocação das motocicletas, que incluem versões superesportivas, trail, estradeiras e turísticas, tendo em comum motores de grande cilindrada e boa capacidade do tanque de combustível - características importantes para percorrer longas distâncias. Das oito motos que levaram os amigos na longa viagem, três são alemãs (da marca BMW), três japonesas (Suzuki), uma austríaca (KTM) e uma inglesa (Triumph).

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