Curitiba - As praias paranaenses ficam lotadas durante o verão, devem receber 2 milhões de veranistas, e a grande pergunta é: como anda a infra-estrutura no Litoral? A maior parte dos veranistas ainda gosta de passar as férias no Estado mas reclama da degradação, da falta de segurança em alguns pontos e da ausência de uma programação de lazer específica para esta época do ano.
Patrícia Scherer, de 30 anos, que frequenta Praia de Leste há 15 anos acha que o maior problema no balneário é a falta de limpeza e conservação. ''O mau cheiro é muito forte por causa das fossas. O mar está mais sujo também'', disse.
Em balneários menores, como o de Saint Etiene, os veranistas sentem medo de sair à noite e costumam andar em grupos para evitar assaltos. Ainda assim, não conseguem impedir o roubo de casas e veículos. Para tentar minorar os problemas de segurança, o governo reforçou o efetivo das polícias e dos bombeiros nas praias (leia reportagem abaixo)
Em praias mais visadas, como a de Matinhos, o patrulhamento é mais intenso e a maior preocupação dos banhistas é com relação à conservação do mar (leia mais opiniões na enquete ao lado).
Mas o grande vilão do verão paranaense até agora é o lixo, como a reportagem da Folha constatou com vários veranistas que passam as férias no Litoral. A razão da falta de coleta ocorreu devido à falta de tempo na troca de empresas para realizar o serviço, após o cancelamento da licitação que anulou o contrato da empresa Transresíduos - Transportes de Resíduos Industriais Ltda.
Para agravar a situação, o volume de dejetos produzidos pelos veranistas é ainda maior nessa época do ano, sobe de 40 toneladas por dia para 300 toneladas por dia, de acordo com a Secretaria de Obras de Matinhos.
O prefeito interventor de Matinhos, José Maria Corrêa, afirmou que os problemas de coleta do lixo estão sendo solucionados. ''Houve problemas devido a fase de transição de uma empresa para a outra. A outra empresa que fazia a coleta (a Transresíduos) parou de fazer a coleta no dia 24 de dezembro e a atual (Paviservice) começou no dia 26. Mas agora está tudo normalizado'', garantiu.
De acordo com o diretor da Paviservice, o serviço ainda não é eficiente devido ao caráter emergencial de contratação. A ordem de serviço só foi recebida pela empresa no dia 23, tempo insuficiente para mobilizar os trabalhadores.
O governo cancelou a licitação de R$ 5,5 milhões porque no ano passado o valor pago girava em torno dos R$ 3 milhões. Pelo novo contrato, a Paviservice recebe aproximadamente R$ 3,2 milhões para realizar o serviço.

Saiba a opinião do turista e do ambulante

''Não me sinto segura. Gostaria que aumentassem o policiamento e a iluminação. Nunca vi um policial nas ruas e venho aqui há sete anos. Nossa casa foi roubada no inverno e um rapaz teve um carro roubado recentemente.''
Daniele Bankersn - estudante

''O mar está muito sujo, venho todo ano pra cá e está cada vez mais sujo. Não sei o que pode ser feito, mas seria necessária uma atuação mais forte das autoridades para que a água pudesse voltar a ser como era, mais limpa.''
Everton Pinheiro - auxiliar de produção

''Não tem muito o que fazer, o pessoal poderia fazer uma programação de lazer. Também deveria haver uma preocupação maior, um projeto talvez, para a revitalização das praias do litoral paranaense''
Fátima Staubus - dona de casa

''Aqui, na Praia de Leste, é seguro mas é muito sujo, falta limpeza, tem muito mato na orla. Também falta lazer pra gente, uma praça para o pessoal ficar. Falta água e luz e não tem salva-vidas aqui, só na temporada.
Ângela Costa - pasteleira

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