Vendendo a balada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 2008
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Epa, epa, epa. Depois de três meses varando noite atrás de noite, o pai de Valquiria Roberta Souza, 24, pediu para ela dar uma segurada. A vida da jovem estava atrativa: não pagar entrada para entrar em bares, consumação gratuita e ainda convite para levar os amigos. Contando assim, em poucas palavras, a vida de promoter parece tranqüila. É muito fácil ficar deslumbrada com esse universo, conta Valquiria, que há um ano promove festas e bares da cidade.
O começo oficial da jovem na profissão teve data marcada: 12 de julho de 2007, seu aniversário, no Era Só o Que Faltava. Entreguei para o dono do bar uma lista com três bandas e ele conseguiu negociar com uma delas. Convidei os amigos, que trouxeram os amigos. No final das contas, foi a segunda-feira mais cheia do ano no lugar. Quando percebeu, gostava tanto do espaço que já o divulgava gratuitamente. Pouco depois, foi convidada e trabalha na promoção do bar até hoje.
Tudo parece bacana não fosse o mau-humor daqueles que não estão a fim de receber flyers, dos outros que se aproveitam da situação e dão em cima ou de ter que curtir uma festa mesmo quando se está querendo ficar em casa. E não dá para divulgar uma noite e não estar presente, comenta Claudia Ruiz, aposentada da função aos 23. Ah, não me imaginava trabalhando com isso aos 30. Acho que fiquei velha, brinca. Claudia começou a trabalhar com promoção aos 19, no Stereo Pub, um local que gostava muito. Acabou virando caixa e recepcionista e aos poucos se envolvendo mais. Entrou na faculdade de Rádio e TV e ficou difícil conciliar o trabalho que tem durante o dia em que coordena a área de eventos da academia Corpus com a noite. Antes, saía de quatro a cinco vezes por semana. Hoje, de uma a duas.
Tenho que sair cinco noites no mínimo, comenta Rafael Cruz Da Silva, que explica que dá para viver de promoção, mas que tem de vestir a camisa. É um conjunto de fatores: tem de desenvolver uma abordagem, conhecer bastante gente, saber lidar com as pessoas. Aos 19, quando começou a trabalhar com divulgação, já gostava da noite. Está há sete anos na lida, mas não quer ficar para sempre. Com o trabalho, ganha cerca de R$ 70 por dia. Começou convidado por Riad Omairi, um dos nomes mais famosos da noite curitibana (veja box nesta página). Ele achou que eu trabalhava bem, que eu tinha boa aparência.


