Venda de carros tem melhor ano da história
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Samuka Lopes<br>Especial para a FOLHA 
Seguindo o panorama nacional, o mercado de veículos nunca esteve tão aquecido em Londrina. O consumidor que deseja um carro zero quilômetro precisa esperar, em média, 60 dias para receber o modelo escolhido. Só sai da loja com automóvel novo quem encomendou em outubro e novembro.
As concessionárias só estão vendendo seus produtos para entregar no final de janeiro ou em fevereiro. Em algumas marcas, o crescimento das vendas no ano chegou aos 35%. E a Citroen Valence projeta um crescimento de 48% para 2008.
Carlos Picchi Júnior, diretor da Valence Citroen e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos de Londrina destaca: a grande vantagem deste crescimento das vendas é que as montadoras estão investindo em novos projetos, como no caso das peruas (station wagons). Isso significa que esses produtos chegarão com novas tecnologias. O que se traduz em maior conforto, economia e segurança para todos.
Além disso, conta Carlos Picchi, as vendas de carros populares estão caindo, enquanto crescem os negócios com os modelos mais luxuosos no País. Este ano o mercado nacional deve absorver mais de 2.200 milhões de unidades. Enquanto a região de Londrina deve emplacar um número acima de 14 mil veículos. O mês de outubro foi um dos melhores do ano, quando a cidade emplacou 1.217 veículos. E o mercado brasileiro absorveu 194.771 unidades.
Em novembro houve uma queda de 4,7%. Isso devido aos feriados, que reduziu a produção nas montadoras e, em conseqüência a oferta de produtos no mercado.
Carlos Picchi adianta que o consumidor deve aproveitar para fazer suas compras, já que a produção neste final de ano irá cair, porque as principais montadoras deixarão de produzir de 22 de dezembro até quatro de janeiro. Isso sem contar que há dois anos os carros não sofreram alteração de preço. A fábrica já sinalizou que em janeiro deveremos ter uma correção de aproximadamente 3%, devido ao aumento no preço do aço.
Região valorizada
Sérgio Manzoni, consultor de vendas da Fiat do Brasil, explica que Londrina é o segundo melhor mercado do Paraná. A Fiat vê o mercado de Londrina como extremamente importante. Existem alguns meses do ano em que até supera em vendas a cidade de Campo Grande (MS).
Eduardo Meneghetti, gerente comercial do Grupo Marajó, revendedor Fiat e Yamaha para a região de Londrina informa que a montadora está saindo na frente. A Fiat está investindo RS 60 milhões para aumentar a fábrica em Betim (MG), já se preparando para atender o mercado em 2008. Além de retomar a fabricação na Argentina. A montadora já trabalha num ritmo de três turnos por dia, produzindo 3.550 unidades a cada 24 horas.
Meneghetti antecipa também a chegada ao mercado do sedã Línea, além de novidades nas linhas da picape Strada, Palio Weekend e Stilo. Hoje está acontecendo que o consumidor tradicional de uma marca está migrando para outras, por falta de produto. O cliente está acostumado a andar de carro novo no final do ano.
As vendas da Marajó, líder do mercado no mês de novembro, cresceram 20% em 2006 e 35% em 2007, ou seja, aproximadamente 450 veículos ao mês. Para 2008 a empresa espera crescer, no mínimo, 12%. O recordista de vendas do mercado é o VW Gol. Mas em três meses do ano, o Fiat Palio superou os números do modelo da VW.
Com 16 anos trabalhando no ramo de concessionárias de veículos, Cláudio Roberto Felismino, gerente de vendas da Metronorte, afirma que nunca viu nada igual ao que está acontecendo este ano no setor. Com a alta demanda, a General Motors passou a estipular cotas para as revendas. Por isso estamos trabalhando por meio de encomenda.
No ano passado a GM superou seu recorde de produção e vendas (veículos emplacados) que era de 1997, estabelecendo a marca de 410 mil unidades. Neste ano a montadora irá produzir 100 mil unidades a mais. A Metronorte, concessionária da marca Chevrolet em Londrina, comercializou em 2006 3.600 unidades. Este ano vai superar quatro mil veículos emplacados. E a previsão para 2008 é ampliar as vendas em 16%.
Fórmula
Felismino cita três fatores que estão contribuindo para o sucesso do negócio: a estabilidade da economia está fazendo os bancos arriscarem mais, aumentando os prazos de financiamento e reduzindo a taxa de juros. E a motorização chamada flexível, onde o motorista pode rodar com gasolina ou álcool. No caso do último combustível, é possível ter uma economia de até 30% nos custos. Isso facilita para o cliente conseguir pagar as parcelas.
Os reflexos do bom momento podem ser sentidos no setor de veículos seminovos, com até três anos de uso. O cliente apressado não espera pelo carro novo e acaba fechando negócio com um veículo seminovo, conta Felismino.


