Giulia Gutierrez Barbosa, de 9 anos, gosta de brincar e (pasmem) de fazer a lição de casa. Quando crescer, ela quer ser capoeirista, esporte que vem praticando há alguns meses, onde semanalmente tem a oportunidade de gingar ao som dos berimbaus. Mas nem sempre foi assim. Quando nasceu, a jovem vivia cercada por uma barreira silenciosa, fruto de uma surdez leve que limitava algumas de suas atividades de criança.
Desde os quatro anos Giulia frequenta o Centro de Reabilitação Sidney Antônio (Cresa), entidade mantida pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) que há 27 anos dedica-se a atender portadores de deficiência auditiva. ''Aqui aprendi a falar, escrever, ouvir e desenhar'', conta a menina, que além da capoeira também faz um curso de modelo através de uma parceria da entidade. Pela manhã, ela frequenta o Centro e à tarde vai à escola regular. ''A diferença é que lá tem prova e um montão de gente'', compara.
Atualmente o Cresa atende 113 pessoas divididas entre o núcleo de reabilitação, núcleo clínico e o programa de reabilitação para implante coclear. No primeiro são feitas atividadades voltadas ao desenvolvimento de habilidades comunicativas em pequenos grupos de até sete pessoas. Este é o caso da pequena Giulia, que passa um período no centro e outro na escola regular. Uma das etapas desse trabalho é o treino auditivo. Num primeiro momento são colocados instrumentos musicais atrás da criança e ela deve adivinhar qual deles foi tocado. Isso ajuda os pacientes a distinguir sons agudos de graves. A segunda etapa é falar com a mão na frente da boca, treinando a capacidade de distinguir o som das palavras sem a leitura labial.
O núcleo clínico se destina ao atendimento individual de pessoas que precisam de abordagens específicas em algumas áreas, como fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, audiologia e psicomotricidade.
Os pacientes do implante coclear (veja reportagem nesta página), são acompanhados durante o pré e o pós-operatório. O Cresa auxilia na avaliação das características auditivas dos atendidos para que o aparelho seja ajustado corretamente a cada tipo de deficiência. Atualmente o Centro atende 19 implantados.
Segundo a fonoaudióloga Luana Pereira, há nove anos atuando no Cresa, é fundamental que a família leve o portador de deficiência auditiva ainda criança ao Centro para que possam ser iniciadas o quanto antes as atividades de reabilitação. ''Muitas famílias que têm um surdo profundo simplesmente deixam de falar com ele. Está errado, tem que estimular sempre as células auditivas'', alerta.
A diretora do Centro, Vanessa Camargo Hermann, concorda que o papel da família é fundamental nesse processo. ''Não há como realizar um trabalho eficaz sem o retorno da família'', afirma. Segundo ela, é em casa que aparecem as primeiras características dos problemas auditivos e é onde também é possível avaliar os avanços no tratamento. ''São eles (os familiares) que dão o caminho: o que procurar, como tratar'', explica. A cada 15 dias ocorre uma reunião entre os pais, onde eles recebem orientações e trocam experiências pessoais entre si. Também é ofertado um curso da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para facilitar a comunicação com o portador de surdez.

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