VELOCISTA DA CASA - Quando a corrida se torna um grande prazer
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domingo, 23 de dezembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Lá se vão 26 anos, mas ele ainda se lembra muito bem. Nascido em um sítio que fica entre Ibiporã e Sertanópolis, Adenílson Reis, 38 anos, começou a correr aos 12, de uma maneira bem inusitada.
''Tenho cinco irmãos. Todos os sábados, meu pai, que era lavrador, ia para o armazém e levava apenas três filhos, pois os demais não cabiam na carroça. Quando não era a minha vez de ir na carroça, eu ia correndo'', recorda-se Reis. Vendo que o garoto tinha jeito para a corrida, o dono do armazém resolveu levá-lo para disputar uma prova em Apucarana. ''Naquela prova já fiquei em primeiro lugar na minha categoria'', conta o atleta.
No entanto, mesmo de medalha no peito, o guri não imaginava que podia seguir carreira no atletismo. Voltou a ajudar o pai na roça de café. Os ''treinos'' aconteciam no fim da tarde, quando ele saía correndo para chegar em casa antes dos irmãos e, assim, ser o primeiro a tomar banho.
Aos 18 anos, Adenílson entrou para o exército brasileiro. Chegou à patente de segundo sargento. Aliás, ''sargento'' tornou-se um apelido. Aos 25, concluiu que já tinha cumprido a sua missão junto às forças armadas. Então, voltou a fazer da corrida a sua paixão.
Atualmente, ele trabalha no departamento comercial da FOLHA. Os 18 quilômetros que separam sua casa, em Ibiporã, do trabalho são vencidos correndo. Os treinos acontecem cinco vezes por semana. Aos domingos, geralmente acontecem as provas. O ''sargento'' disputa em torno de 15 por ano. Entre elas, a famosa São Silvestre, que fecha o ano esportivo no Brasil. Nessa prova, ele já ficou entre os 100 primeiros.
Com um talento natural para o atletismo, Reis lamenta o fato de não ter tido um acompanhamento profissional quando ainda era garoto. ''No meu caso, faltou orientação, como falta para muita gente'', lamenta o atleta.
Para oferecer aos garotos de sua cidade natal a oportunidade que não teve, atualmente ''Sargento'' coordena um projeto de incentivo ao atletismo, em parceria com a prefeitura de Ibiporã. ''É muito bom ajudar a garotada'', revela com grande satisfação o atleta que nem pensa em parar. Orientação também não lhe falta, o treinador Cléber Lubwin dá todas as dicas necessárias. Apoiado pela imobiliária Santamérica, auto-escola Bella Cidade, Agroterra, FOLHA e Secretaria de Esportes de sua cidade, ele continua com passos firmes, correndo, acima de tudo, pelo prazer.


