Museu Municipal Deolindo Mendes PereiraNo final dos anos 40, era inaugurado o Hotel Central, o primeiro da cidade A jornalista Rosana Bond não precisou ficar mais de um ano em Campo Mourão para se apaixonar por um dos mais interessantes aspectos da história da região. Graças a essa paixão, no final do ano passado ela lançou um livro sobre os misteriosos Caminhos do Peabiru. A obra fala sobre essa milenar trilha indígena, com cerca de 3 mil quilômetros de extensão que ligava o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, saindo de São Vicente, no litoral de São Paulo, e chegando ao Peru. Tudo isso passando pelo Paraná e pela região de Campo Mourão.
A velha estrada indígena tinha cerca de 1,40 metro de largura e uma profundidade de aproximadamente 40 centímetros. Todo o caminho era coberto por uma grama. Difícil é saber quando a estrada foi construída. Certo mesmo, só o fato de quando os colonizadores espanhóis e portugueses chegaram à América do Sul, o caminho já estava pronto e facilitou o acesso das expedições. Acredita-se que o Peabiru foi obra de grupos indígenas pré-históricos que habitavam o Brasil e o Paraguai há pelo menos 2 mil anos.
Em meio às teorias de formação do Caminho de Peabiru, uma é bastante curiosa. Ela foi contada primeiramente pelos jesuítas e diz que a estrada foi aberta por São Tomé, um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo. Essa versão diz que o santo chegou andando sobre as águas do Oceano Atlântico e que teria sido ele quem ordenou o plantio de grama sobre o caminho. São Tomé era chamado pelos índios de ‘‘Pai Sum钒 e, além de pregar a crença num só Deus, teria também ensinado a eles o cultivo de milho, mandioca e erva-mate.
Tudo isso era contado pelos próprios índios. O que torna a história indígena mais curiosa é que do outro lado do continente, no Peru, tribos contavam uma passagem muito parecida. Um homem branco teria chegado, pregado o respeito a um só Deus e ensinado o cultivo da terra. Só que esse homem teria desagradado muitos sacerdotes do antigo Peru e estes tentaram matá-lo. O suposto São Tomé, então foi embora. Como? Caminhando sobre as águas do Pacífico. O livro de Rosana Bond conta ainda uma série de outros mistérios sobre o velho caminho.
SignificadoMistério é também saber ao certo o significado de Peabiru. É tanto mistério que nem os estudiosos se entendem. No livro de Rosana, ela relata várias teorias. Uma delas diz que peabiru significa ‘‘caminho antigo de ida e volta’’. Também poderia ser ‘‘caminho ralo’’. Ou ‘‘caminho amassado’’, ‘‘caminho terraplenado’’, ‘‘caminho da montanha do sol’’, ‘‘caminho cujo percurso se iniciou’’ ou simplesmente ‘‘caminho ao Peru’’. Outro grande mistério é descobrir vestígios da antiga estrada. Quase nada restou da trilha milenar - a 12 quilômetros de Campo Mourão, o município de Peabiru recebeu a denominação como referência.
Na década de 1970, o arqueólogo Igor Chmyz, da Universidade Federal do Paraná, chegou a descobrir vestígios do Caminho do Peabiru em Campina da Lagoa (100 km a sudoeste de Campo Mourão), mas eles foram destruídos pouco tempo depois pela ocupação agrícola. Durante o trabalho de pesquisa para a obra, Rosana também conheceu, através de Clemente Gaioski, restos de um caminho muito antigo, em Pitanga, com todas as características do Peabiru. São por todos esses mistérios que os Caminhos do Peabiru continuam fascinantes.

mockup