A visita de João Paulo II a Curitiba, em 1980, deixou lembranças profundas na memória do curitibano. O nome do papa foi usado para batizar um dos bosques mais conhecidos da capital paranaense, localizado no Centro Cívico. Uma menina que foi beijada por João Paulo II tornou-se celebridade local.
O que pouca gente sabe é que o veículo que foi usado para transportar o papa, no desfile do Aeroporto Afonso Pena até o estádio Couto Pereira, quase foi leiloado pelo governo do Estado. ''O Galaxy que transportou o papa era do cerimonial do Palácio Iguaçu e foi emprestado para a visita de João Paulo II. Depois da visita do papa, o governo do Estado começou a substituir os Galaxys por Opalas. Esse Galaxy iria a leilão e eu fiquei sabendo. Eu disse: 'Esse carro não é comum, ele tem história'. Aí, o carro foi cedido em comodato ao Veteran Car Club do Brasil - Clube de Automóveis Antigos do Paraná'', relata o empresário Roberto Biesemeyer, membro do clube.
O carro, um Galaxy 76, permanece no clube e é exibido em eventos de colecionadores de automóveis antigos. Biesemeyer conta que, para a visita do papa, o carro foi adaptado na Auto Estofamentos Paraná, na Rua Carlos de Carvalho, estabelecimento que existe até hoje.
''Fizeram uma abertura grande. Foi retirado o banco de trás e colocaram um tablado. O papa ficava de pé. Havia também alças para ele se segurar e uma lona, para proteção caso chovesse. Era um carro normal, sem vidro blindado. O motorista era um membro da equipe de segurança, veio do Vaticano'', explica Biesemeyer.
Católico, o empresário acompanhou a visita de João Paulo II, que mobilizou aproximadamente 1 milhão de pessoas em Curitiba. ''Eu fui para a (Avenida) Marechal Floriano, na altura da Vila Hauer, onde havia menos gente, para ver o papa. No Centro a coisa estava impossível. Acredito que a visita do papa atraiu tanta gente porque João Paulo II era muito simpático e devido à forte colônia polonesa'', diz Biesemeyer. (F.G.)

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