Variedade da produção marca 18 Feiarte
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Cerca de 70 mil pessoas devem passar pelo Centro de Exposições do Parque Barigui para ver as atrações da 18 Feira Internacional de Artesanato (Feiarte), iniciada no dia 18 e que vai até domingo. Trata-se de um dos maiores e mais tradicionais eventos do segmento no Brasil. Segundo a organização, estão envolvidos na feira aproximadamente 1.200 artesãos e 200 expositores de 30 países e 17 Estados brasileiros.
A variedade da produção pode ser verificada em uma rápida passagem por um dos corredores da feira. Pulseiras, tapetes, peças de cerâmica e objetos decorativos são perfilados em estandes que indicam procedências díspares: Amazonas, Portugal, Índia, México, Quênia.
''A idéia é misturar bastante coisa e trazer para Curitiba um artesanato que a população daqui não encontra com tanta facilidade. Há uma grande representação de expositores do Paraná e da capital, mas eles não são maioria até porque isso seria redundante, pois já existe a Feirinha do Largo da Ordem'', explica Jackson Hara, gerente de marketing da Diretriz, empresa que organiza a Feiarte.
Na qualidade e no comércio da produção, fica evidente que o artesanato brasileiro se transformou. ''Nos últimos anos, o artesanato mudou muito, através dos diversos programas de fomento, que são oferecidos por entidades, associações e pelos governos municipais, estaduais e Federal. A profissão de artesão foi valorizada. A pessoa que trabalha com artesanato se tornou profissional, filiado a uma entidade ou capaz até de formar micro e pequenas empresas. Nesse processo, ocorre a passagem da economia informal para a formal'', destaca Hara.
O gerente aponta que essa profissionalização, aliada a marcantes traços culturais, transformou o Paraná, e especialmente a região de Curitiba, em referência nacional no artesanato. ''Cada Estado tem sua cultura. O artesanato vai nessa linha, é um retrato do povo. O Paraná tem um artesanato bastante qualificado. Por exemplo, na produção em tear, área em que o Estado é reconhecido nacionalmente. O Paraná também se destaca no artesanato em madeira''.
A artesã Cibele Krukosi, de Curitiba, já enviou peças para 43 países. Ela aponta que o artesanato hoje lhe proporciona uma renda superior ao trabalho como psicóloga. ''Fiz Artes Plásticas antes do curso de Psicologia e sempre fiquei nessa fronteira. Há alguns anos, comecei a fazer ikebanas (arranjos florais de influência oriental). O artesanato é uma coisa que te envolve totalmente. Autodidata, comecei a desenvolver várias peças de cerâmica'', relata Cibele.
No seu trabalho, a artesã utiliza materiais inusitados. ''Certa vez, o meu carro foi arrombado. Eu peguei os cacos de vidro e fiz uma peça em homenagem à água'', afirma.
Cibele diz que o artesanato paranaense é rico, mas que em muitos casos falta um sentimento de valorização das raízes. ''Eu procuro, ao invés de fazer peças com a imagem do Mickey, trabalhar com ícones da nossa cultura. Tenho peças com forma de pinheiro, da bandeira do Brasil... Acho que existe uma diferença entre o artesão e o artista. O artesão aprende uma coisa e repete, repete. O artista não aprende, ele não pára, ele fica tentando, buscando, vai sempre encontrando'', argumenta a artesã.
A Casa do Artesanato de Araucária, mantida pela prefeitura, está com um estande na Feiarte. Segundo Tadeu Klidzio, assistente administrativo da prefeitura, aproximadamente 130 artesãos estão vinculados à casa e produzem bonecos, quadros, cestos, cerâmica, entre outros produtos. ''Muitos conseguem viver do artesanato. Para outros, esse trabalho é uma ajuda'', diz Klidzio.
SERVIÇO
Feiarte
Centro de Exposições do Parque Barigui, segunda a sexta-feira, das 15 às 22 horas. Sábado, das 14 às 22 horas. Domingo, das 14 às 21 horas. Entrada: R$ 8,00. Maiores de 60 anos pagam meia e menores de 12 anos não pagam.


