Cerca de 70 mil pessoas devem passar pelo Centro de Exposições do Parque Barigui para ver as atrações da 18 Feira Internacional de Artesanato (Feiarte), iniciada no dia 18 e que vai até domingo. Trata-se de um dos maiores e mais tradicionais eventos do segmento no Brasil. Segundo a organização, estão envolvidos na feira aproximadamente 1.200 artesãos e 200 expositores de 30 países e 17 Estados brasileiros.
A variedade da produção pode ser verificada em uma rápida passagem por um dos corredores da feira. Pulseiras, tapetes, peças de cerâmica e objetos decorativos são perfilados em estandes que indicam procedências díspares: Amazonas, Portugal, Índia, México, Quênia.
''A idéia é misturar bastante coisa e trazer para Curitiba um artesanato que a população daqui não encontra com tanta facilidade. Há uma grande representação de expositores do Paraná e da capital, mas eles não são maioria até porque isso seria redundante, pois já existe a Feirinha do Largo da Ordem'', explica Jackson Hara, gerente de marketing da Diretriz, empresa que organiza a Feiarte.
Na qualidade e no comércio da produção, fica evidente que o artesanato brasileiro se transformou. ''Nos últimos anos, o artesanato mudou muito, através dos diversos programas de fomento, que são oferecidos por entidades, associações e pelos governos municipais, estaduais e Federal. A profissão de artesão foi valorizada. A pessoa que trabalha com artesanato se tornou profissional, filiado a uma entidade ou capaz até de formar micro e pequenas empresas. Nesse processo, ocorre a passagem da economia informal para a formal'', destaca Hara.
O gerente aponta que essa profissionalização, aliada a marcantes traços culturais, transformou o Paraná, e especialmente a região de Curitiba, em referência nacional no artesanato. ''Cada Estado tem sua cultura. O artesanato vai nessa linha, é um retrato do povo. O Paraná tem um artesanato bastante qualificado. Por exemplo, na produção em tear, área em que o Estado é reconhecido nacionalmente. O Paraná também se destaca no artesanato em madeira''.
A artesã Cibele Krukosi, de Curitiba, já enviou peças para 43 países. Ela aponta que o artesanato hoje lhe proporciona uma renda superior ao trabalho como psicóloga. ''Fiz Artes Plásticas antes do curso de Psicologia e sempre fiquei nessa fronteira. Há alguns anos, comecei a fazer ikebanas (arranjos florais de influência oriental). O artesanato é uma coisa que te envolve totalmente. Autodidata, comecei a desenvolver várias peças de cerâmica'', relata Cibele.
No seu trabalho, a artesã utiliza materiais inusitados. ''Certa vez, o meu carro foi arrombado. Eu peguei os cacos de vidro e fiz uma peça em homenagem à água'', afirma.
Cibele diz que o artesanato paranaense é rico, mas que em muitos casos falta um sentimento de valorização das raízes. ''Eu procuro, ao invés de fazer peças com a imagem do Mickey, trabalhar com ícones da nossa cultura. Tenho peças com forma de pinheiro, da bandeira do Brasil... Acho que existe uma diferença entre o artesão e o artista. O artesão aprende uma coisa e repete, repete. O artista não aprende, ele não pára, ele fica tentando, buscando, vai sempre encontrando'', argumenta a artesã.
A Casa do Artesanato de Araucária, mantida pela prefeitura, está com um estande na Feiarte. Segundo Tadeu Klidzio, assistente administrativo da prefeitura, aproximadamente 130 artesãos estão vinculados à casa e produzem bonecos, quadros, cestos, cerâmica, entre outros produtos. ''Muitos conseguem viver do artesanato. Para outros, esse trabalho é uma ajuda'', diz Klidzio.

SERVIÇO
Feiarte
Centro de Exposições do Parque Barigui, segunda a sexta-feira, das 15 às 22 horas. Sábado, das 14 às 22 horas. Domingo, das 14 às 21 horas. Entrada: R$ 8,00. Maiores de 60 anos pagam meia e menores de 12 anos não pagam.

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