Varella: solidariedade substitui utopia
Varella: solidariedade substitui utopia
Acabaram-se as utopias que inauguraram o século, e no lugar delas surge uma visão mais clara e prática da solidariedade, da articulação da sociedade e do papel do Estado. Para o médico Drauzio Varella, uma referência brasileira em Oncologia e saúde preventiva, estas mudanças são estimulantes, mas trazem um gosto de desencanto.
Acaba aquela imagem, aquele sonho de que era possível uma sociedade igualitária... Olho para trás e isso me parece ridículo, reflete. Fui à União Soviética em 1986 e nunca vi um lugar com tanta canalhice e corrupção. O Centro Oncológico de Moscou era algo pior que o INPS... Me perguntava por que intelectuais admiráveis que apoiavam o regime soviético não percebiam o que se via por lá.
Mas a desilusão é generalizada, diz Drauzio. Em todas as correntes do pensamento e linhas ideológicas os líderes perderam credibilidade. Sobretudo os políticos carismáticos. Sobre este entulho é que se constrói uma nova consciência de sociedade, com uma visão mais clara de seu compromisso e que começa a tomar atitudes.
Consolida-se a noção do Estado que dá e não mais do Estado que tem, que é uma idéia ultrapassada, explica. O Estado não tem de ser dono de escolas e hospitais, tem de oferecer à população os serviços públicos, contratando terceiros, porque é o serviço prestado que importa.
Drauzio não prega privatização ou estatização, apenas defende um Estado enxuto. O Estado tem de evoluir para uma coisa pequena, pagando pelos serviços e fazendo os prestadores atenderem o público, diz. E cita um bom exemplo disso no Brasil mesmo: Esta relação Estado-cidadão-prestador de serviço público pode ser vista nas Santas Casas, os hospitais públicos precisam ser todos transformados em Santas Casas, que funcionam bem e com custo baixíssimo.





