Vamos falar sobre os homens!
Vamos ser sinceras. Não importa se é casada ou solteira, se estuda ou não, se já viajou para o exterior ou, no máximo, passa férias na praia, se trabalha ou não. Se existe um assunto que as mulheres gostam é falar sobre os homens. Aliás, eu sempre achei que as mulheres se reúnem para compartilhar suas experiências e pedir palpites para as amigas. Que nada!
Além das fofocas tradicionais sobre os maridos, parceiros, namorados, desafetos e ex em geral, as mulheres também tagarelam sobre os principais capítulos dos seriados como Gilmore Girls e o mais recente Mens in Trees. Todos exibidos pela tevê paga e, este último, sucessor de Sex in the City - que saiu da tevê e virou livro.
Os capítulos e as mulheres falam sobre homens, relacionamentos, encontros, sinais, química, como fazer para dar certo. Parece até receita de bolo, esqueceu um ingrediente, já era! É mãe que aconselha filha, filha que dá opinião na vida amorosa da amiga, amiga que comenta com outra amiga. Agora, o protagonista não muda, nunca. Homem.
Dos seriados de tevê passando pelos livros de auto-ajuda, do desabafo entre amigas e comadres, a pergunta é sempre a mesma. Por que os homens são assim? Por que fazem isso ou, pior, por que não fizeram isso... As respostas variam de acordo com a idade, nacionalidade, escolaridade e mais um monte de ''dade'' que já perdi as contas. Mas a resposta, de verdade, ninguém dá.
Quando eu era adolescente achava os meninos diferentes: fortes, claros no raciocínio, corajosos, donos de muita atitude. Na minha cabeça quem telefonava e convidava para sair era o menino. Menina, jamais!
Tinha a certeza de que um dia encontraria o homem ideal: além das características acima, ele seria carinhoso, inteligente, bem-humorado, cheiroso, lindo, fiel, gentil, sexy, rico (lógico!), saudável, ufa! O homem ideal (quer dizer, idealizado) jamais ficaria doente, não teria sequer uma disenteria, nunca tomaria um porre, estaria sempre muito bem empregado, não teria problemas no trabalho, nunca pularia a cerca (só a do sítio), lembraria de todas as datas especiais, compraria os presentes, pagaria os jantares e não pediria para temperar o feijão igual ao da mãe (dele).
Só que a gente cresce e aprende que nem tudo é do jeito que a gente pensou que era. Mas que de um outro jeito também pode ser bacana e divertido. Falar mal dos homens faz parte da característica da mulher. Também pudera, se a gente não falar mal deles, vai falar de quem? Fofocar sobre a vida do vizinho é politicamente incorreto, mas é gostoso.
Mas vamos falar mal dos homens no bom sentido e entender as diferenças. O homem ideal não existe e, se você pensar bem, nem nos livros e nem nos seriados. Na novela nem se fala. A moça fica cento e tantos capítulos esperando para casar com o moço.
A arte imita a vida, e a mulher ideal também não existe. Queremos quase todo dia discutir a relação, gostamos de falar ao telefone com nossas mães, vamos ao shopping para comprar um livro e, depois de duas horas, saímos de lá com um vestido e duas blusinhas e sem o livro - tinha promoção de roupa. Ah! E ainda os amados namorados, maridos e parceiros precisam aguentar os ataques por causa da TPM. Amélia só na música.
Homens e mulheres não começam um relacionamento com manual de instrução. O negócio é descobrir as afinidades, os ideais, as vontades e relevar o que não servir para fazer a gente feliz. Só assim teremos assunto para comentar com as amigas e os escritores sempre terão histórias deliciosas e apimentadas sobre relacionamentos. Assim é a vida!
Ana Paula Moraes, jornalista





