Perceber o mundo com ''um pouco menos de culpa'' e sem repressão. É mais ou menos assim que pode ser sintetizada a filosofia tântrica. Valorizar o corpo e entendê-lo como uma ferramenta para alcançar a evolução são alguns dos preceitos dessa doutrina, explica o instrutor de ioga, Ciro Albuquerque. Os exercícios de respiração, a concentração e os benefícios físicos para o corpo do praticante das técnicas do ioga seriam apenas consequências do trabalho.
Falar sobre ioga é quase tão complicado quanto um iniciante nessa prática executar a vrishkásana (posição em que a pessoa apoia o cotovelo e o antebraço no chão, o restante do corpo fica levantado de forma reta). O problema do assunto são as várias vertentes, divisões e subdivisões que permeiam a ioga.
Albuquerque explica que existem três grandes filosofias na Índia: o tantra, a yoga e a sanquia. O tantra seria uma filosofia de vida voltada para o comportamento e as ações das pessoas, o ioga é direcionado para os exercícios e técnicas corporais, e o sanquia está ligado para as reflexões internas do indivíduo.
O instrutor compara que as linhas de ioga não tântricas são mais repressoras, argumentam que a evolução do ser é alcançada por meio da dor e das privações. No caso da linha tântrica, o corpo seria uma ferramenta usada para alçancar a evolução e o prazer ajudaria nesse objetivo.
Albuquerque salienta ainda que o tantra é amoral. ''Não há julgamentos porque a filosofia é amoral. Procuramos respeitar a liberdade de cada pessoa'', afirma. Ele avalia que as vidas dos seguidores dessa filosofia estaria impregnada nas ações banais das pessoas.
''Se você está no ônibus e alguém pisa no seu pé e você não fala nada, depois de 20 minutos a pessoa ainda está pisando e você acaba estourando é um bom exemplo de repressão. No caso do tantra, se alguém pisar no seu pé você diz: Opa! O de baixo é meu. Não fica sofrendo com o problema'', exemplifica Albuquerque, que dirige uma instituição que forma professores e também ministra aulas para iniciantes.

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