Quase oito anos e vários aumentos depois, a instituição do pedágio nas estradas paranaenses ainda gera indignação e revolta entre os usuários. Mais do que a cobrança da tarifa em si, questionam-se os altos valores praticados pelas concessionárias.
  O principal problema é que a implantação das praças de pedágio proporciona impacto difícil de calcular para quem tira o sustento das rodovias ou para quem vive próximo dos locais de cobrança.
  Um caso exemplar é o do ex-caminhoneiro Romilton Edson Freghetto, de Cascavel, que com apenas 28 anos já deixou a profissão por não ter condições de bancar os custos das viagens. Morador de Cascavel, trabalhou como caminhoneiro por sete anos: dos 18 aos 25. ‘‘Com a tarifa de pedágio muito alta e o óleo diesel muito caro, não estava mais sobrando o que sobrava antigamente’’, constata.
  Viu-se, assim, obrigado a buscar alternativas para sobreviver. Hoje, faz o trabalho de intermediário entre cooperativas e caminhoneiros, para transporte de cargas.
  Outro caso é o de Elisa Otília Werner, 60 anos, proprietária de comércio à beira da estrada BR-277, no trecho entre Curitiba e o litoral. Ela conta que viu o movimento cair drasticamente à medida que a tarifa do pedágio era reajustada. Hoje, até pensa em vender o estabelecimento, que é a fonte de sustento da família há quase uma década.
  De acordo com Elisa, os clientes comentam que o que poderiam gastar no comércio é usado para pagar o pedágio. O resultado é uma queda de 50% nas vendas. No início, o movimento era grande. O pátio vivia lotado de carros. Num fim de semana, eram vendidos 300 cocos. Também eram servidas refeições e lanches. ‘‘Agora, não me atrevo mais a fazer almoço. Pastel, só se alguém pedir, aí eu frito na hora’’. Nos dias mais fracos, passa sem vender nada.
  Elisa diz que ainda está confiante em conseguir vender o negócio. Cheia de energia, afirma que pretende ‘‘cair na estrada’’ para ganhar a vida, tentando sobreviver de artesanato. O sonho de um comércio próspero foi barrado na praça de pedágio.

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