A tendência para o preço internacional da soja, que está muito baixo, é permanecer estável. Ninguém acredita que o valor possa subir nos próximos meses devido às estimativas de uma super safra nos Estados Unidos. Se não houver intempéries importantes, as produções americana, brasileira e argentina vão gerar grande oferta e, consequentemente, segurar o preço em Chicago.
Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista e consultor da Scot Consultoria, diz que o mais provável é que a soja permaneça na casa de US$ 8 dólares o bushel no próximo ano. "Não está em nosso radar que chegue a US$ 10 dólares. Seria otimismo demais." O presidente da Cooperativa Integrada, Jorge Hashimoto, é um pouco mais otimista. Para ele, o preço internacional ficará entre US$ 8,5 e US$ 9,5 até o fim do ano que vem. "O nosso medo é quanto ao dólar. Os insumos sobem conforme a moeda. O pior cenário é comprarmos insumos com dólar alto e vendermos os grãos com dólar baixo", declara.
O vice-presidente da Associação de Produtores de Soja (Aprosoja) na Região Leste de Mato Grosso, Endrigo Dalcin, também se diz preocupado. Ele reconhece que o preço da soja, devido ao câmbio, está muito bom. "Chegamos a vender a R$ 70 na nossa região." Mas está receoso quanto à safra 16/17. "Se tudo correr como o previsto, haverá um super safra nos Estados Unidos que ajudará a pressionar o preço do grão (em Chicago) para baixo. Teremos um problemaço se, junto com isso, o câmbio estiver baixo, com o dólar valendo perto de R$ 3", aponta.
Outro que está preocupado com a provável super safra dos Estados Unidos é o presidente da Aprosoja no Paraná, José Eduardo Sismeiro. "Nossa esperança é que o governo dos Estados Unidos intervenha de alguma forma para elevar o preço." Ele acredita que uma medida como essa seja possível porque o governo americano "banca os prejuízos" dos produtores. "Então tem interesse em influenciar no preço da soja", declara.
Já o economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria do Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Marcelo Garrido, afirma que a safra americana preocupa, mas nem tanto. "As safras vêm sendo consecutivamente grandes e a demanda vem sendo o suficiente para não afetar tanto o preço", declara. No início de outubro, segundo ele, 30% da soja paranaense, que ainda está sendo plantada, já estava vendida numa cotação de R$ 70. "É um valor muito interessante."

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