Eu era uma foca quando entrei na Folha de Londrina, exatamente no dia 26 de fevereiro de 2001. Bem, pelo menos, era assim que me sentia diante da minha quase ignorância sobre o funcionamento de um jornal diário. Apesar dos meus oito anos de formada, minha experiência, até então, havia sido muito mais em assessoria de imprensa.
E essa alma de aprendiz me fez muito bem, eu acho. Pude sentir frio na barriga na minha primeira matéria e, sem nenhum constrangimento, absorver tudo que, de alguma forma, para mim, era novo. Meu chefe direto, na ocasião, confidenciou-me, certa vez, que tinha dúvidas sobre minha adaptação no jornal, sobre meu texto, já que meu ritmo era de assessoria de imprensa. Emendou, dizendo que eu o surpreendi. Tomei isso como um elogio e os "puxões de orelha" como aprendizado para o resto da vida.
Logo que comecei a trabalhar na redação da FOLHA, os acidentes ambientais no Litoral eram o foco da imprensa - para azar da natureza e sorte da principiante. Deixando de lado o fundo trágico, os desastres ambientais me renderam belíssimas matérias: episódios que, certamente, vou contar para os meus netos. Tudo bem que, nessa, o Mauro Frasson - fotógrafo que me acompanhou em algumas dessas expedições que batizamos de "Folha Aventura" - sairá na frente. Não é, avô?
A mais emblemática delas, para mim, foi a de um derramamento de óleo na Serra do Mar, que atingiu o Rio dos Padres. Com a disposição de um legítimo foca, quis descer morro abaixo até chegar ao rio para ver com meus próprios olhos a extensão do estrago.
Destemidos, repórter e fotógrafo, descemos pela trilha improvisada em meio à mata. Parar em pé, pisando em uma mistura de lama e piche, era uma tarefa quase impossível. Depois de muitos escorregões e tombos, que resultaram ao Mauro, umas costelas trincadas (literalmente), e a mim alguns hematomas, voltamos para a redação enlameados e de alma lavada pela sensação do dever cumprido.
Fomos a única equipe de reportagem a se aventurar a chegar até o rio, o que (modéstia à parte) nos garantiu uma cobertura diferenciada e imagens exclusivas.
Os tombos e escorregões que se seguiram (agora no sentido figurado, claro) me fizeram amadurecer como repórter de jornal diário. Mas, não. Ainda hoje, não me sinto completamente madura. Isso me estragaria. Tiraria de mim a capacidade de avaliar a chance de aprender alguma coisa nova, mesmo nas situações mais adversas.
Em oito anos de jornal, já perdi (há tempo) a conta de quantas matérias tive publicadas, quantas causaram aborrecimento ou satisfação a quem figurou nelas como personagem. A FOLHA me permitiu fazer matérias fantásticas, ter o reconhecimento em um prêmio de jornalismo, a possibilidade de ampliar meus conhecimentos e trabalhar ao lado de excelentes parceiros, o que é melhor ainda! Valeu pessoal!

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