Vai ser legal curtir de Scooter
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Mariela de Castro Santos 
Marcelo AlmeidaO empresário Giorgio Coco (no centro), cercado pelos garotos que frequentam sua loja, acredita que o gosto pela velocidade está no sangue no jovemAs scooters, motinhos de baixa cilindrada que se transformaram em uma febre entre os adolescentes, sempre enlouqueceram os guardas de trânsito. Pela lei brasileira, essas motos só podem ser conduzidas por quem tem habilitação - o que significa ser maior de idade. No entanto, é entre a garotada de 12 a 16 anos que o brinquedinho faz a festa.
A briga acerca do que deveria ou não ser permitido ganha um novo contorno com uma idéia do empresário italiano radicado em Curitiba, Giorgio Coco. Ele quer tirar as scooters das ruas e colocá-las para correr em circuitos fechados, com toda a segurança, com o respaldo da Federação Paranaense de Motociclismo.
Kraw PenasEliezer Bitterman, 17 anos, decidiu vender sua scooter, depois de levar duas multas e ter o veículo apreendido pela polícia
Essas motos simbolizam liberdade para o jovem. Esse novo esporte é uma oportunidade de expressar o gosto pela emoção sem o perigo das ruas e as confusões com a lei, justifica Coco. As primeiras corridas, com regulamento devidamente aprovado pela Federação, devem acontecer em junho, já como parte de um calendário paranaense.
Segundo Coco, na Europa há uma habilitação especial para maiores de 14 anos conduzirem essas motinhos. O Brasil é o único país que não segue o resto do mundo, equiparando as scooters a uma moto qualquer e exigindo idade mínima de 18 anos para pilotá-las, diz Coco.
Foi com esse tipo de problema que se deparou o estudante Eliezer Bitterman, 17 anos. Dono de uma Jog 50, ele sempre andou de capacete e respeitou a sinalização, usando o veículo apenas para trajetos curtos em ruas de pouco tráfego. Não adiantou. Depois de ter sido multado pela polícia duas vezes, teve a moto apreendida. Foi ao Detran, resgatou a Jog e vendeu-a. De que adianta ter algo que não posso usar?, questiona.
Seu contato com outros fãs de scooter leva a uma conclusão pertinente. Na opinião dele, as competições de scooter em circuitos fechados vão atrair muitos interessados, mas não vão evitar que os garotos continuem andando nas ruas. Scooter é legal em qualquer lugar, e as corridas acabam estimulando um uso ainda mais intenso, inclusive nas ruas, acredita.


