Sol com poucas nuvens durante o dia. Tempo abafado e pancadas de chuva no final da tarde. Ventos fortes durante a noite com possibilidade de queda de granizo. Em Curitiba, máxima de 23ºC e mínima de 12ºC. Informações como essas são divulgadas diariamente pelos veículos de comunicação. Há quem não sai de casa sem antes conferir o que diz a previsão do tempo.
É o exemplo da professora de educação física Caroline Bertoldi. Ela é surfista profissional de bodybording e vai para o Litoral quase todo final de semana. Na terça-feira ela já começa a pesquisar como estará o tempo no sábado e domingo. Os destinos preferidos de Caroline são Guaratuba, Ilha do Mel, Pontal do Sul e Praia de Leste, no Paraná, e São Francisco do Sul, Garopaba e Florianópolis, em Santa Catarina. A professora avalia a velocidade dos ventos, o tamanho das ondas, se haverá sol e se os ventos vêm da região Sul, geralmente mais frios e que possuem a capacidade de mudar a temperatura. Há algumas semanas ela mudou o destino da viagem por ver na previsão do tempo que em São Francisco do Sul iria chover. Então resolveu ir para uma praia do Paraná. Caroline pesquisa essas informações em sites especializados e depende delas para treinar.
Mas você sabe como os meteorologistas fazem para descobrir como estará o clima nos próximos dias ou para prevenir possíveis catástrofes naturais? A FOLHA entrevistou profissionais do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) para saber como é feita a previsão e leitura dos dados do tempo.
Os meteorologistas tiram de letra, mas o sistema não é nem um pouco fácil de entender. Para saber qual o clima dos próximos dias é necessário cruzar uma série de dados captados de diferentes maneiras.

Serviço

O Paraná possui aproximadamente 70 estações de superfície localizadas em diferentes pontos do Estado. Elas transmitem em tempo real a característica climática de cada região, como grau de umidade e temperatura. Se uma rajada forte de vento é identificada em uma dessas estações, os profissionais do Simepar recebem o aviso na hora.
Também existem seis radares que medem as cargas elétricas de raios e trovoadas. Eles estão localizados em Foz do Iguaçu, Paranavaí, Ivaiporã, Santo Antônio da Platina, Curitiba e Foz do Areia. Quando um raio cai em alguma região do Estado, esses radares cruzam informações para detectar a localização exata e a quantidade da carga elétrica. Assim, fazem a interpolação através de sensores. Os radares identificam os locais onde as nuvens têm maior acúmulo de energia e não conseguem segurar a carga de energia, ocasionando as trovoadas.
O trabalho do órgão também inclui a captação das informações de 38 estações hidrológicas que medem dados de alguns rios do Paraná, além da manutenção do grande radar meteorológico localizado em Teixeira Soares (50 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Ele fornece informações do clima de quase todo o Estado, inclusive de algumas regiões de São Paulo e Santa Catarina. Existe agora um projeto para comprar um novo radar, que seria instalado na região Oeste, local que sofre com geadas e tempestades. A previsão é que ele seja instalado em 2010, ao custo de 10 milhões de dólares.
O Simepar também utiliza informações de satélites utilizados por outros órgãos do Brasil e do mundo e dados de balões meteorológicos, geralmente utilizados pela aeronáutica. Eles avaliam as condições do clima e a velocidade e direção do vento na região, num período de 10 quilômetros a partir do solo (troposfera). Estes balões são caros (aproximadamente 150 dólares cada) e podem ser utilizados apenas uma vez, depois caem e se destroem. Um novo equipamento é utilizado a cada 12 horas.
Um programa de computador une todos esses dados e produz informações úteis para que os meteorologistas avaliem as características recentes do clima. Com um pequeno histórico do que ocorreu nos últimos dias será então possível prever a situação climática de cinco dias. "É mais fácil saber o que ocorre nas próximas 24 horas. No segundo e terceiro dias a avaliação é parecida. Prever o que irá acontecer no quarto e quinto dias é possível, mas o resultado é incerto", explica Leonardo Calvetti, meteorologista do Simepar.

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